Momentos económicos… e não só

Blog de Economia e outras coisas


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ciência, fraude e erros

depois do erro de excel no trabalho de Rogoff e Reinhart, notícias do campo da psicologia, de dados inventados ao longo de 10 anos, vale a pena ler o artigo na New York Times  / Magazine (aqui), mas também já houve fraude na investigação sobre células estaminais (ver aqui). Existem vários outros exemplos em muitas áreas (aqui novamente em medicina)  e provavelmente há mais casos desconhecidos, ainda assim é assinalável que o sistema científico tenha capacidade de detectar e até propor formas de correcção – neste artigo discute-se os limites e possibilidades actuais de detectar artigos fraudulentos. Há uns anos houve o caso Sokal, em que este investigador inventou um artigo só para ver se conseguia publicar textos sem sentido mas com ar sofisticado e transdisciplinar (ver aqui um resumo).

Voltemos aos dados que tenho para trabalhar…


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são os italianos e espanhóis mais ricos que os alemães?

A propósito de um trabalho do Banco Central Europeu, surgiu a informação que os cidadãos dos países do Sul da Europa – em particular, espanhóis, italianos, cipriotas, seriam mais ricos que os alemães. Paul de Grauwe olhou para a questão através das desigualdades que também existem na Alemanha (aqui).

Uma questão similar tinha-me sido levantada há dias por um colega. Utilizando dados do inquérito SHARE, para 2011, que abrange apenas cidadãos acima de 50 anos mas tem um conjunto alargado de países inquiridos, entre os quais Portugal, é possível olhar um pouco mais para esta discussão, para este grupo da população e analisando um dos principais activos – a propriedade de habitação própria.

A importância desta discussão está em levar a questionar o apoio do Norte da Europa, leia-se Alemanha, ao Sul, leia-se países do Mediterrâneo pertencentes à zona euro.

Primeiro dado, os alemães têm por escolha comprar menos habitação própria. Esse facto é muito claro na população acima dos 50 anos, sendo mais natural no Sul da Europa uma percentagem muito elevada de pessoas acima desta idade que é dono da sua casa. (a responsabilidade dos gráficos e de imprecisões que neles possam constar são minha responsabilidade)

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Os alemães por outro lado são os que têm menos dívidas na aquisição de habitação própria.

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Em termos de rendimento ajustando para os níveis de preços em cada país e para a composição dos agregados familiares, na população com mais de 50 anos, os alemães não são os mais ricos, sendo mesmo ultrapassados pelos espanhóis. Mas como estamos a falar de habitação própria e resultante de valores auto-reportados pelos próprios donos das habitações, a existência de uma “bolha” de preços na habitação em Espanha poderá reflectir-se em valorizações pessoais e não de mercado (valor de transacção) das habitações. O valor de mercado é aquele pelo qual conseguimos vender não aquele pelo qual gostaríamos de vender ou que achamos que é “justo” vender. Por isso, a percentagem de proprietários sem dívida relacionada com a habitação poderá ser uma melhor aproximação da riqueza da população com mais de 50 anos de cada país, e nesse indicador os alemães surgem muito claramente diferenciados do sul da Europa (tal como os holandeses).

É preciso ter o cuidado de estes valores não serem rendimentos nominais de cada cidadão, e dizerem respeito a uma parte da população apenas.

Ainda assim, é notável que as diferenças entre os cidadãos de diferentes países assinalem rendimentos mensais que depois de ajustados para a dimensão do agregado familiar e poder de compra que não são muito diferentes entre países e em particular a Alemanha não aparece como uma posição de muito maior rendimento que os restantes, pelo menos nesta população. Se tal se deve à generosidade dos sistemas de pensões ou a outro motivo, é algo que não é possível aqui distinguir.

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pseudónimos, política e economia

a curiosa situação de um consultor do FMI que escreve sobre Portugal e que é demitido do seu cargo numa fundação do PSOE, ver aqui, por não revelar o nome de quem redigiu artigos verdadeiramente artigos publicados sob pseudónimo. Os artigos existem. A dúvida é saber se seria um estratagema para receber por parte de quem adjudicava os artigos.

Numa espécie de volte-face literário, surge a ex-mulher do consultor a dizer que é ela a autora dos artigos, que faz outras coisas com o mesmo pseudónimo e que o ex-marido não saberia de nada por tudo ser feito através da representante editorial dela (ver aqui a noticia e aqui). Mas o diário El Mundo mantém dúvidas (aqui) dizendo que alguns dos artigos do pseudónimo são idênticos a escritos do consultor do FMI.

A realidade ultrapassa a ficção. Cuidado com os pseudónimos. E como a hipersensibilidade social na actual crise pode disparar em qualquer sentido, a uma velocidade esmagadora de qualquer análise racional.


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viagens de comboio e a CP

Alguma coisa vai mudando na CP, ou melhor nas várias CPs que são as suas unidades negócios, com aspectos bons e outros a melhorar.

Tive recentemente que fazer uma deslocação a Braga por motivos profissionais, e como de costume tratei de usar a CP. Hábito de algum tempo a esta parte, consultar a internet para ver horários e comprar bilhetes. Sabendo de uma ligação directa Lisboa – Braga em comboio alfa pendular, foi a primeira procura que fiz. As ligações lá estavam, mas o horário era pouco interessante para o comboio directo, ou muito cedo (sair de Lisboa pelas 7h00, quando o compromisso era às 14h30) ou muito tarde. Arrumada a questão do comboio directo, houve então que encontrar a alternativa. Nada de muito complicado. No mesmo sítio de internet, basta mudar de janelinha e lá surgem as várias alternativas. Tudo muito claro, incluindo os transbordos e as horas. Só que ficou a faltar a possibilidade de comprar directamente, naquele momento, o bilhete. Como gosto de escolher o lugar onde vou, e como estou habituado a fazer essa escolha nos comboios alfa pendular, assumi que poderia comprar a parte Lisboa – Porto pela internet, seleccionando o lugar, e depois na bilheteira da estação de embarque compraria a parte seguinte da viagem, Porto – Braga. Decidi poupar o custo de uma chamada telefónica para os serviços da CP a confirmar que o poderia fazer, de tão simples me pareceu que seria em qualquer bilheteira comprar um bilhete para qualquer percurso oferecido pela CP no país.

Deste confiar numa abrangência do sistema de bilheteira resultou a primeira surpresa. Não é possível comprar um bilhete Porto – Braga antecipadamente em Lisboa. Mas posso comprar Lisboa – Braga naquele momento. Fico sem perceber se é um problema tecnológico, o que não parece plausível, ou um problema de gestão das unidades de negócio. E na descrição da viagem que é feita no site da CP não há referência a esta dificuldade.

Resultou daqui um pequeno problema – o tempo para comprar o bilhete Porto – Braga na estação de Campanhã. Sem atrasos na chegada e partida, são 11 minutos disponíveis. É um tempo mais do que suficiente se…

Os possíveis “se” são muitos, e o primeiro é o momento de chegada. Sem atrasos, pelo menos desta vez. Os dois primeiros minutos são passados a percorrer a distância entre a plataforma de chegada e a bilheteira, procurando ao mesmo tempo identificar de que plataforma sai o comboio para Braga. A plataforma de chegada é longe da bilheteira, mas a de partida é logo a primeira, menos mal. Zona de bilheteiras. Necessidade de decidir entre máquina automática ou atendimento humano, sujeito a fila de 4 pessoas. 9 minutos para a partida. As máquinas estão vazias mas oferecem escolhas que precisam de informação – é o cartão Andante ou o outro? Na dúvida, tenta-se a fila. Passam os minutos. Falta de trocos de quem está a ser atendido. Que quer ainda mais uma explicação e um mapa. 2 minutos e sou atendido. Era o outro cartão, o verde, e não o Andante. Que o guarde que serve para o futuro, ainda recomenda o funcionário da CP. Andemos que o comboio para Braga está a entrar na estação. Validação do bilhete à entrada da plataforma e entrar para uma carruagem ampla. Faz parte da rede urbana do Porto. Excelente comboio, a deixar entrar todo o Sol do início de tarde. Deu ainda para constatar que a escolha de cartão para viajar até Braga, que não foi óbvia quando olhava para as bilheteiras electrónicas, é partilhada por mais pessoas. Uma rapariga que viajava para o mesmo destino teve longa conversa, à minha frente, com o revisor. Tinha ela usado um cartão Andante com nove zonas, o mesmo número de zonas para chegar a Braga. Mas as nove zonas do cartão Andante não são as mesmas. Fiquei a saber pelos esclarecimentos do revisor que o cartão Andante é válido para andar em comboios da CP na área do Porto, mas só até parte das linhas. O cartão Andante é multimodal e azul (tenho um da última viagem que fiz ao Porto, utilizado no Metro). Só que para ir além de uma “coroa” é necessário o cartão verde da CP. Os limites do Andante foram prontamente cantados pelo revisor. E o azar de serem nove zonas que qualquer dos cartões sobre só ajuda à confusão (a acreditar que são nove zonas em cada caso, não fui confirmar). E acresce ainda que o custo de usar o Andante nas zonas todas é superior ao preço do bilhete Porto – Braga, aspecto também clara e rapidamente detalhado pelo revisor. E no final, lá deixou a rapariga seguir até Braga sem outra penalização além de ter pago um bilhete mais caro com o cartão Andante. E toda a forma como as explicações foram prestadas e como a recomendação de usar o cartão CP foi feita deixa subentendido que este será uma situação vulgar na linha.

Pedido: para ir de Lisboa a Braga fazendo transbordo em Porto – Campanhã, poderá a CP oferecer o bilhete completo para aquisição via internet, ou pelo menos permitir em qualquer bilheteira comprar bilhete para qualquer percurso?

A ida teve a emoção de conseguir em 11 minutos fazer a mudança de comboios, e para o futuro já tenho o meu cartão verde que deverá facilitar o processo. O regresso foi feito em comboio directo, com a boa novidade de oferecer “wifi free” em teste. Perfeito. Deu para fazer algum trabalho atrasado. Espero que mantenham o teste por bastante tempo, pois a alternativa será o wifi pago. Ou talvez passe a estar incluído no preço do bilhete. Passar a wifi pago parece ser a opção mais natural – só usa e paga quem quer. Mas terá um ligeiro problema – qual será a sua real procura? quem está mais disposto a pagar também tenderá a ter mais facilmente alternativas como ter uma ligação em pen usb de banda larga, ou via telefone.

Viajar de comboio em Portugal está a melhorar, pelo menos nesta linha. E se da próxima vez verificar que o meu pedido pode ser satisfeito, significará que novos passos centrados nos passageiros estão a ser dados.

 


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Balanço de 2012

1- Portugal não saiu do euro (a Grécia também se aguenta) e o euro ainda existe.

2- A Troika continuou a visitar-nos com frequência, e deu espaço para respirar no défice deste ano mas pouco.

3- Não houve renegociação da dívida.

4- Não houve mais surpresas ou buracos vindos da Madeira que comprometam os objectivos gerais.

5- Sarkozy foi corrido em França mas Hollande ainda não cumpriu as expectativas. E ainda vai ter que se haver com o Gerard Depardieu.

6- De TSU para manifestação colossal para aumento enorme de impostos e logo de seguida refundação do estado social, os últimos quatro meses do ano foram frenéticos.

7- Mais um campeonato europeu que não ganhamos, mas mais uma vez atropelamos a Holanda, fomos atropelados pela Alemanha, e recuperamos o trauma do golo de Poborski há muitos anos atrás com a vitória sobre a Republica Checa. Faltou só uma pontinha de sorte a Cristiano Ronaldo no jogo com a Espanha.

8- O país descobriu Artur Baptista da Silva. Com grande injustiça para outros como ele que permanecem na penumbra mediática.

9- Ainda não foi este ano que se descobriu petróleo em Portugal.

10- (cada um coloque o que quiser, desde uma canção a um filme, ou outra coisa qualquer)

 


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ao que chega a necessidade de ouvir o que queremos…

hoje estou um pouco mais preguiçoso, afinal é época de Natal, e limitei-me a recolher as notícias sobre Artur Baptista da Silva – quem??? ler abaixo, mas quando me perguntaram quem era o senhor, não sabia, e quando fui à procura encontrei já o final da festa, de que faço cut and paste de seguida. A parte, preocupante, referente ao crivo jornalístico será certamente longamente discutida pelos próprios profissionais. E o que tem graça é que ele já “andava por aí” (ver aqui em maio de 2012, no primeiro comentário; também aqui)

Mas há também a parte de se ter querido acreditar na mensagem do senhor – procurar soluções que sejam não pagar a dívida, quando devíamos procurar soluções para fazer crescer a economia (e pagar as dívidas existentes).

E para divertimento e aprendizagem, há muitos artigos na imprensa e na internet sobre a “burla” de Artur Baptista da Silva, é só usar o Google ou consultar os sites dos principais jornais, aqui ficam alguns: aquiaquiaquiaquiaquiaqui). Não consigo deixar de ir adicionando links! : facebook de Artur Baptista da Silva,  aqui, alguns outros links aqui,  e opiniões mais sérias, aqui do Henrique Monteiro, e declaração de Nicolau Santos aqui e no Expresso aqui.

Da TSF:

Publicado ontem às 21:06

Esclarecimento sobre papel de Artur Baptista da Silva nas Nações Unidas
Paulo Tavares, editor de política da TSF
Perante dúvidas surgidas ao início da tarde sobre a idoneidade de Artur Baptista da Silva, que deu uma entrevista à TSF na qualidade de coordenador do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, a TSF tentou, ao longo do dia, confirmar suspeitas, que indicavam que não teria qualquer função naquela organização.Fontes da delegação portuguesa nas Nações Unidas, contactadas hoje pela TSF, dizem desconhecer Artur Baptista da Silva, e estranham a criação de um Observatório Económico e Social das Nações Unidas para a Europa do Sul. A TSF já confrontou Artur Baptista da Silva com estas suspeitas. Em dois contactos telefónicos distintos, durante a tarde, Baptista da Silva manteve a sua versão dos factos, mas recusou fazer prova de que, de facto, é funcionário das Nações Unidas. Nos últimos dois meses, Artur Baptista da Silva foi orador convidado em diversas conferências em Portugal, e deu entrevistas a diversos órgãos de comunicação social. Espaço público que ocupou a descrever as preocupações das Nações Unidas com os efeitos da crise nos países do Sul da Europa e a apontar caminhos alternativos.
Até ao momento não foi possível obter qualquer informação oficial das Nações Unidas, algo que a TSF continuará a tentar, mas por precaução e perante dúvidas ainda por esclarecer, a TSF decidiu retirar de antena e da página na internet os conteúdos relacionados com Artur Baptista da Silva.”

Publicado ontem às 23:53

 CGTP e UGT desmentem Artur Baptista da Silva
 Na entrevista que deu à TSF, Artur Baptista da Silva disse ter apresentado aos parceiros sociais o relatório produzido por ele e mais sete economistas de um alegado observatório das Nações Unidas, garantindo que o relatório foi bem recebido e que alguns dos parceiros se manifestaram mesmo disponíveis para assinar a proposta. A TSF foi tentar perceber como foram esses encontros.A CGTP foi contactada por Artur Baptista da Silva através de e-mail para ser recebido com caráter de urgência. O tema era a crise económica em Portugal.Ouvido pela TSF, Augusto Praça, responsável pelas relações internacionais da CGTP, explicou o que se passou nesse encontro.
Na entrevista à TSF, Artur Baptista da Silva afirmou que uma central sindical lhe terá dito que «se estiverem interessados, nós estamos disponíveis para assinar a vossa proposta, subscrever aquela que pensam que será a solução».No entanto, em declarações à TSF, Augusto Praça disse que nunca subscreveu nada.
Também o secretário-geral da UGT, contactado pela TSF, confirmou que recebeu Artur Baptista da Silva para uma conversa sobre a atual situação do país.João Proença disse que Artur Baptista da Silva lhe entregou um documento, com cerca de 20 páginas, com ideias soltas e que em nada lhe pareceu tratar-se de um estudo, apenas uma compilação de ideias que poderiam servir para uma discussão sobre questões económicas.”
Publicado hoje às 08:02

Artur Baptista da Silva esteve preso até dezembro do ano passado
O Diário de Notícias acrescenta, esta manhã, novos dados sobre o caso polémico de Artur Baptista da Silva, adiantando que ele esteve preso até dezembro do ano passado.
No início de dezembro Artur Baptista da Silva foi orador convidado no grémio literário, em Lisboa, sendo apresentado como professor na Milton Wisconsin University, nos Estados Unidos, uma universidade que foi encerrada em 1982. Esta manhã, o Diário de Noticias acrescenta outros dados, nomeadamente o de que que Artur Baptista da Silva esteve preso até dezembro do ano passado.
O DN adianta que cumpriu desde 1993 várias penas por crimes como burla, abuso de confiança e emissão de cheques sem cobertura. Para além de se apresentar como professor numa universidade norte-americana que fechou as portas há 30 anos, o DN aponta outras falsidades. Já se apresentou como consultor do Banco Mundial, cargo que segundo o jornal nunca exerceu. O nome de Artur Baptista da Silva também não consta da lista de deputados da assembleia constituinte em 1975 ao contrário do que terá dito.”


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o “sistema” contra-ataca…

Há uns tempos, descrevi o processo pelo qual o meu filho conseguiu (?) deixar de ser considerado como nascido em 1927.

Ora, julgava eu que tinha terminado o processo, quando se dá o caso de ele recentemente ter ido a uma consulta no centro de saúde. A primeira depois de tudo o que relatei.

Confiando agora nas suas palavras, dirigiu-se ao balcão de atendimento administrativo, entregou a senha de atendimento, e recebeu o comentário, senhor “Raul” (nome fictício) o senhor está reformado. O que obviamente não coincidia com a pessoa que se encontrava defronte da jovem funcionária que o atendia. Felizmente, percebeu logo que era engano e fez a ligação com a história que aqui relatei há semanas. Pegou então no telefone, na sequência desse telefonema preencheu e alterou os dados no “sistema”, fazendo a actualização para a idade correcta. Na base de dados que vai “beber” a informação ao cartão do cidadão, a idade estava correcta.

O ter surgido outra vez este problema é surpreendente uma vez que via portal da saúde a idade está correcta desde a terceira semana de Novembro, e nesse mesmo dia telefonei e confirmei telefonicamente para este mesmo centro de saúde a idade no registo.

Terá sido esta a última vez que tal sucedeu? será que da próxima vez voltará o meu filho a ter mais de 80 anos nos registos do Serviço Nacional de Saúde? Há claramente diversos “sistemas” internos que não comunicam nem se actualizam automaticamente (não estão “sincronizados” na linguagem techy dos dias de hoje). Fica a sugestão dos serviços informáticos do Ministério da Saúde darem atenção a este aspecto das actualizações do sistema informático.

O “sistema” está aí…à espera…de contra-atacar… até ao próximo episódio.

Hal 2001


Estado social, refundação e como intervir

Os últimos dias tiveram diversas realizações que procuram dar resposta ao pedido de debate sobre a refundação do estado social (aceitemos por agora esta denominação).

A principal preocupação que tem surgido é saber se esta será uma discussão para levar a sério, ou apenas uma forma de “vender” os cortes de 4 mil milhões de euros. Ora, discutir apenas cortes ou discutir que estado queremos para a sociedade portuguesa são aspectos muito distintos, e convém sejam apresentados princípios e evidência relevantes. No entanto, persiste a dúvida de saber se haverá alguma estruturação desta discussão que envolva a sociedade de uma forma ampla, ou se ficará por maior ou menor vozearia no Parlamento e entre os partidos políticos, com algumas manchetes de jornais e aberturas de telejornais à mistura.

A importância do assunto justifica uma organização diferente, de saber que os contributos serão de facto ouvidos e ponderados. Infelizmente, toda a história passada de deliberação pública em Portugal está contra a expectativa de os actores políticos ouvirem de facto a sociedade (e não se limitarem a ouvir a si mesmos e respectivos ecos).


just for fun…

a Moody’s deslocou o foco de atenção para França, e o inimigo público descobriu porquê, a parte interessante é saber que caminho percorrerá agora a França, que se começa a parecer com a Espanha.

Em qualquer caso, é mau para nós que parte dos nossos principais mercados de exportações cresça menos; pode criar um mercado de exportação de experiência de austeridade, em que iremos aos outros países explicar como se faz, mas duvido que venha a ter grande popularidade.

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