Momentos económicos… e não só

Blog de Economia e outras coisas


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De uma conferência há uns dias do FMI

sobre economia europeia, duas respostas sobre a situação portuguesa (acesso via página de Portugal no FMI):

- passagem de medidas no mercado de trabalho para “atacar” directamente os mercados finais, com liberalização nos serviços

- sobre programa cautelar, a visão é simples: se Portugal consegue colocar dívida pública, se mantém um compromisso visível com reformas então para quê programa cautelar, embora deixando a decisão final ao Governo (como não podia deixar de ser).

 

“QUESTIONER: You mentioned the risk with unemployment. It is not only a risk–it is a reality–in the case of Portugal, so I’d ask you a more broad question: What went wrong with the adjustment, the fiscal adjustment in Portugal, and specifically with unemployment? How can we turn that around?

MR. MOGHADAM: I think your point is correct. The unemployment rate in a number of places in Europe, including Portugal, is unacceptably high.

I think the issue has been first stabilizing the economies. Given the high level of debt and given that Portugal and others had lost market access, it was necessary to have a fiscal adjustment program that would bring debt under control. And to some extent, that has been done. Portugal planned a degree of fiscal adjustment, most of which has already been done. Two-thirds of it has already been put in place.

In terms of unemployment, the focus of the program has been to put conditions in place in product and labor markets, not just in Portugal but across the euro zone countries, through reforms in these areas and structural reforms in general in order to increase the potential growth of the economy. Some of those are yielding results. Now, obviously, the situation is difficult and is likely to continue to be difficult, but the starting point was extremely difficult, I would say critical. Some of these economies did lose market access, and the adjustment was necessary to bring the economies back to health.

So, I think that as we move forward, the emphasis on product and labor market reforms needs to continue. Now, Portugal has done a lot–one should commend them–in terms of labor market reforms. I think there also needs to be greater emphasis in terms of product market reforms, liberalization of the services sector, where there is scope to create jobs and reduce unemployment.

MS. GAVIRIA: We have a related question online: “Portugal is on the eve of concluding the financial assistance program. Do you think Portugal should ask for a precautionary program after the end of the bailout?”

MR. MOGHADAM: The Fund and European-supported programs come to an end at the end of June. I think the Portuguese government is in the process of consultation. They are talking to all the key partners, they are talking to market participants, to assess the easiness of access to the markets in the coming months and years.

What is very encouraging is that not only has market access been regained in a significant way; the spreads have been coming down very sharply in Portugal. It is a testimony to the successful implementation of the program despite many problems.

That process of consultation is continuing now. It would be prejudging it if we say it should go one way or the other. There are good reasons for considering a precautionary arrangement as a safety net. Also, equally, if there is market access, if there is commitment to continuing reforms beyond these programs, a credible case can be made for not having one. So that consideration is continuing now, and I think we need to let the government seek views and form its judgment.”


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incentivos à emigração

Tem-se falado muito do “brain drain”, das pessoas com elevadas qualificações que são obrigadas a emigrar por falta de condições para trabalhar em Portugal. Ainda há dias vinha o relato na imprensa de uma investigadora portuguesa na área de ciências sociais que recebeu uma distinção internacional e que está localizada em Inglaterra.

Caso se queira realmente pensar a sério neste aspecto, e considerá-lo um problema, a solução não está em reter os portugueses, e sim em tornar Portugal atractivo para qualquer investigador/profissional qualificado, independentemente da sua nacionalidade. E há algumas instituições pensam dessa forma, o que se traduz nos melhores resultados que vão obtendo. O mercado de trabalho de profissionais qualificados é global, não é nacional, nem regional.

Só como exemplo, apenas ontem recebi via correio electrónico um anúncio de posição em Inglaterra que é competitiva em termos salariais (sobretudo depois de impostos) e de interesse do trabalho envolvido com o que é a minha situação actual (professor universitário com 20 anos de carreira depois de doutoramento). Para pessoas numa fase mais intermédia na carreira, torna-se uma oportunidade importante. Claro que haverá muitos candidatos, claro que as possibilidades de uma candidatura vinda de Portugal ser a escolhida são baixas. Claro que… mas não é impossível, e por isso há pessoas que se candidatam e até com alguma frequência conseguem esses lugares e deixam o país. O desafio, repito, não está em como reter essas pessoas, mas sim em como atrair essas pessoas, e para isso a oferta de lugares qualificados tem que conseguir ser comparável (ok, podemos pagar um pouco menos porque temos mais dias de sol, mas ainda assim…)

O anúncio (ainda está aberto):

Technical Advisor – Health Economics (Band 8b) – Closing 12 noon 25/04/2014
Centre for Clinical Practice, National Institute for Health and Care Excellence (NICE)
Location: Manchester
Salary: £45,707-£56,504

The National Institute for Health and Care Excellence (NICE) is the independent organisation responsible for providing national guidance and advice on promoting high quality health, public health and social care.
Our role is to improve outcomes for people using the NHS and other public health and social care services. We do this by:
• Producing evidence-based guidance and advice for health, public health and social care practitioners.
• Developing quality standards and performance metrics for those providing and commissioning health, public health and social care services;
• Providing a range of information services for commissioners, practitioners and managers across the spectrum of health and social care.

The Centre for Clinical Practice (CCP) develops guidance on appropriate treatment and care for people with specific diseases and conditions. The guidance is used by those working in the NHS and patients and their families. The guidance is composed of recommendations, based on the best available evidence of clinical and cost effectiveness, on the appropriate treatment and care of people with specific diseases and conditions.

The Technical Adviser (health economics) is responsible for ensuring the technical quality of the economic and modelling related outputs of the Clinical Guideline programme, and providing economic and modelling advice and support to the National Collaborating Centres (NCCs) and Internal Clinical Guideline (ICG) teams.

The role will involve, reviewing and quality assuring the work of the NCCs and the two ICG teams, supporting the technical analyst (health economics) and providing support to the Senior Technical Adviser (health economics) on health economic technical issues. In addition, the role will involve contributing to the training and development of staff and Guideline Development Group (GDG) members on health economics. In addition this role inputs into the health economic methodological developments for Clinical Guideline’s programme of work.

The job holder is expected to have expertise in modelling and economic analysis techniques and to be experienced in evidence reviewing techniques.

With a Master’s degree or Doctorate you will be working at a senior level within the institute. You will have knowledge or experience of working across different areas of health care and of the principles of evidence-based healthcare. You will demonstrate the ability to establish effective working relationships with a range of professionals both within and outside the Institute and to work in a multidisciplinary professional environment. You will also be confident presenting to groups.

If you would like to discuss the post, please email or call Bhash Naidoo (Senior Technical Advisor [Health Economics]),bhash.naidoo@nice.org.uk,   tel:  020 7045 2159.

Applications via NHS Jobs only:
http://www.jobs.nhs.uk/xi/vacancy/5342c0cd4255fd7b7f52a46fa9c1eb44/?vac_ref=913366902

Closing date: Friday 25th April 2014 at noon – please note we do not accept late applications

No agencies please.


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ajustamento do consumo das famílias

Desde há cerca de dois anos que, de vez em quando, vou ver as estatísticas presentes no site conheceracrise.com, e em particular a evolução das componentes do consumo privado. Numa perspectiva mais longa, os dados estão disponíveis no INE. Como ocorreu, desde o Verão, uma aparente alteração na evolução que se registava nos últimos anos, pareceu interessante revisitar e actualizar estes valores. A figura abaixo faz essa actualização, estando expressa em número índice de 1995=1, e sem ajustamento para inflação. Os valores são trimestrais.

O que se observa é uma reacção a dois tempos à situação de crise – em 2009, num primeiro choque, todos os tipos de despesa baixam em valor nominal, incluindo as despesas alimentares. Os anos de 2010 e 2011 são anos de alguma recuperação nessas despesas, mas com o pedido de ajuda financeira internacional, as despesas alimentares foram “protegidas”, as despesas com bens duradouros tiveram uma quebra muito substancial,  e as restantes despesas registaram um decréscimo. O que muda nos tempos mais recentes é, sobretudo, o recuperar da despesa com bens duradouros. Ainda de uma forma tímida, mas com alguma persistência. Resta saber se é apenas substituição de bens duradouros que chegaram ao fim da sua vida útil, ou se é algo mais. Nos outros bens correntes (não alimentares) e serviços, e nos consumos alimentares, o pequeno decréscimo no último trimestre não é ainda um desvio a uma tendência dos últimos anos.

Não sei se esta evolução é boa ou má (por exemplo, se estivermos a falar de bens duradouros importados será diferente de serem consumos dirigidos a produtos nacionais), mas aparentemente algo está a mudar no consumo privado.

 

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e a economia portuguesa parece-se com??

Um dos temas favoritos dos últimos anos tem sido a comparação da economia portuguesa com as outras economias que receberam igualmente ajuda financeira internacional e estiveram sujeitas a um programa de ajustamento, a Grécia e a Irlanda. Curiosamente, a Espanha escapa a estas comparações, por a ajuda externa ter sido direccionada apenas para o sistema bancário.

Com o aproximar do final do programa de ajustamento em Portugal tem sido comum falar-se em “saída à irlandesa” ou equivalente. A discussão deixa quase a noção de ser uma questão de gosto ou mesmo estética. Contudo, é importante olhar para os fundamentos a prazo das diversas economias.

A esse respeito, um indicador útil é o chamado PIB potencial, presente na base de dados AMECO da Comissão Europeia, que dá a visão do que é o potencial produtivo de cada economia. Essa visão é complementada com o desvio em cada ano face a potencial produtivo. Este desvio traduz o problema de conjuntura. As figuras seguintes apresentam estes indicadores. No caso do potencial produtivo estão em índice, com duas possibilidades: 1986 = 1 (início  da integração europeia formal de Portugal) e 2002=1 (para apanhar os tempos da zona euro).

Os desvios face ao PIB potencial estão em percentagem do valor do mesmo ano.

Da primeira figura, os aspectos mais notáveis são:

a) o grande crescimento da Irlanda antes do euro; depois do euro, mesmo tendo crescido mais, não é tão diferente assim.

b) a Irlanda teve uma redução do seu potencial produtivo depois do início da crise, mas nos últimos dois anos, tem uma recuperação – quer em crescimento do seu potencial, quer em aproximar-se desse potencial (redução do “gap”).

c) a Grécia afunda-se com a crise, e nas duas componentes – redução acentuada do seu potencial produtivo, e aumento do “gap” da produção efectiva face ao potencial.

d) Portugal tem uma evolução média geral de potencial produtivo desde a entrada na CEE (1986) que é melhor do que a grega ou a espanhola até meados da década de 2000. Como é conhecido, o tempo do euro foi de fraco crescimento potencial da economia portuguesa, e desde 2010 o produto potencial tem vindo a baixar. Em termos de “gap”, a recessão ficou a meio caminho entre a situação grega e a irlandesa, e para 2014 prevê-se uma aproximação ao valor potencial. O problema da economia portuguesa, a verificarem-se estes valores, será para 2015 e anos seguintes um problema de aumentar o potencial da economia portuguesa em termos produtivos, e não um problema de “fechar” a diferença entre procura agregada e oferta produtiva potencial (é uma forma imprecisa, mas rápida de transmitir a ideia).

e) a Espanha passa bastante despercebida por cá, nestas comparações, mas acaba por ser o país com o qual somos mais parecidos em termos de evolução.

Assim, para se perceber como Portugal é visto lá de fora em termos de potencial de crescimento, que possa determinar investimento estrangeiro produtivo em Portugal, e investimento financeiro (financiamento da dívida por exemplo), é melhor olharmos para o que se passa com Espanha do que com a Irlanda ou a Grécia. O termos tido em comum com estes dois últimos países um programa de ajustamento formal não corresponde aos fundamentos de cada uma das economias.

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100 inovações sociais da Finlândia

É curioso ver como os países querem ser reconhecidos fora das suas fronteiras. Recebi recentemente uma cópia de um livro chamado “100 Inovações Sociais da Finlândia” (versão em inglês do índice do livro aqui), onde, além da curiosidade de ver o que os finlandeses consideram ser as suas contribuições em termos de inovação social, encontrei interesse na própria forma de abordar a ideia – pequenas e grandes inovações, de diferente cariz. Traduzem os aspectos a que dão importância e pelos quais querem ser conhecidos, colocando ao mesmo nível intervenção social e desenvolvimentos puramente tecnológicos. E a introdução, com prefácio de dois presidentes da república da Finlândia, dá destaque à compatibilidade entre estado social e competitividade e ao papel que a capacidade de adaptação e inovação em diversos campos tem nessa compatibilidade.

Li apenas algumas das inovações, e claro nem todas são inovações sociais;  a mais curiosa é o cocktail molotov, com produção industrial durante a segunda guerra mundial.


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salário mínimo vs o mínimo dos salários

A discussão sobre o aumento do salário mínimo voltou aos holofotes públicos. Desta vez por acção do Governo, provavelmente numa iniciativa de poucos frutos. Os efeitos de imposição de salários mínimos, em termos de redução de emprego, são conhecidas da literatura económica, e o livro de Mário Centeno sobre o mercado de trabalho português deve ser relido a esse propósito. Aliás, esta discussão retoma os mesmos pontos de há um ano atrás (literalmente). A sensação de andar em círculos é grande. Ou então um dejá vu como em Matrix…

Retomo, por isso, o que escrevi no Dinheiro Vivo nessa altura:

 

Salário mínimo

01/04/2013 | 01:04 | Dinheiro Vivo

Nas últimas semanas gerou-se um consenso entre associações patronais e sindicatos sobre o aumento do salário mínimo para 500 euros, em que aparentemente a barreira a esse aumento está no Governo. Esta situação é curiosa, pois nada impede as empresas de aumentarem salários se assim o entenderem.

O principal aspecto sobre o debate do salário mínimo que parece estar presente na posição do Governo é se implica, ou não, menor emprego. Diversos estudos aplicados têm encontrado que a imposição de salário mínimo faz subir os salários médios de quem tem emprego mas está normalmente associada com menor volume de emprego nos trabalhadores menos qualificados. Apesar de este ser o consenso da maior parte do estudos, também há análises empíricas que começaram a apresentar resultados divergentes, com resultados nulos e até efeitos positivos do salário mínimo sobre o nível de emprego. Para Portugal, esta ambiguidade está resolvida. No seu livro sobre o mercado de trabalho, Mário Centeno aponta como resultado de estudos anteriores em Portugal que “para os trabalhadores que recebem o salário mínimo, em aumento de 5% desse salário reduz em 3 pontos percentuais a probabilidade de se manter empregado”(1). O que no caso de passar o salário mínimo de 485 euros para 500 euros se traduz numa menor probabilidade, em quase 2 pontos percentuais, de se manterem esses empregos.

O volume de emprego poderá não ser o único elemento a ter em consideração na discussão do salário mínimo. Há, desde logo, a questão do que é um salário com dignidade, em valor absoluto. A este respeito, a nível europeu existem situações muito diversas sobre valor do salário mínimo. Portugal terá dos menores salários mínimos, nos países que o possuem, da Europa Ocidental. Mas é mais elevado que os salários mínimos da Europa de Leste.

Por outro lado, não é possível que os valores dos salários se desviem de forma significativa e permanente da produtividade das empresas. A imposição de um salário mínimo tem que atender a esse aspecto. As empresas com menor produtividade tenderão assim a ser mais facilmente colocadas fora do mercado quando há um aumento do salário mínimo. Não é de crer que seja esse o objectivo da convergência de opiniões entre sindicatos e associações patronais.

Ainda dentro de um quadro da teoria convém não negligenciar os efeitos dinâmicos que potencialmente estarão presentes num aumento do salário mínimo. Sabendo que haverá um aumento do salário mínimo nos anos seguintes, as empresas com menor produtividade ganham um claro interesse em, com tempo, procurar fazer crescer a sua produtividade para conseguirem sobreviver. Mas mais uma vez, duvido que seja este o argumento principal para o alinhar de interesses.

Outro argumento que por vezes surge é o de estímulo da procura interna, por colocar mais dinheiro na mão da população. No entanto, não é discutido, nesse argumento, como é que este aumento salarial se pode articular com a diferente produtividade das empresas, evitando que se traduza em menor emprego (o que seria contrário ao próprio objectivo de estímulo da procura interna), ou se o aumento salarial é reflectido nos preços praticados.

O que acaba por estar verdadeiramente em causa é saber se quem está disponível para aumentar o salário mínimo deve ter a capacidade de impor essa disponibilidade a todas as empresas. Não é claro, do actual contexto da economia portuguesa, que se deva fazer, sem prejuízo de quem quiser aumentar salários e tornar público que o faz. Por outro lado, ter um perfil futuro de actualizações do salário mínimo anunciado desde já pode ter vantagens como indutor de procura de maior produtividade pelas empresas. Mas o historial de respeito por estes acordos em Portugal é desencorajador.

Nota (1): Mário Centeno, O Trabalho, uma visão de mercado, Fundação Francisco Manuel dos Santos, 2013.


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6ªs da reforma: Controlo da execução orçamental do Estado

Decorreu na sexta, 4 de abril, a sessão das sextas da reforma conduzida por Orlando Calço (texto disponível aqui). Aqui ficam as minhas notas da sessão, em bruto como é hábito.

Num resumo rápido, propõe-se tratar o tema na perspectiva do gestor do orçamento. Como ponto de partida, o reconhecimento de que os resultados da execução orçamental não são bons, em geral, apesar de muito coisa boa que tenha sido feita. Onde tem havido novidades? Sobretudo na informação disponível, mas esse trabalho assenta no mesmo esquema de análise das contas públicas, olhando para variações homólogas. A visão consolidada não consegue encontrar o que se passa a nível das instituições.

A questão é como fazer um controlo orçamental num contexto de descentralização. A criação de dívida por falta de controlo orçamental é uma forma de uns actores lançarem impostos futuros sobre toda a sociedade. A informação sobre a situação financeira é repetidamente contestada, o que mostra um problema de credibilidade de contas. As instituições não disponibilizam informação adequada no decurso do ano. Não é uma preocupação existente.

A centralidade da responsabilidade no ministério das finanças não garante os objectivos. É uma herança que não se adequa às necessidades actuais. Pensar que se controla centralizando não levará a um melhor controlo. Hoje em dia, a maior fatia da despesa cabe à administração autónoma. A gestão “micro” das finanças públicas no Ministério das Finanças é ineficiente, conduz à desresponsabilizaçãoo nos ministérios sectoriais, desperdício e descontrolo orçamental.

Lições: Necessidade de consenso nacional sobre consolidação orçamental; articulação entre processo orçamental e controlo da execução; Exige liderança política, continuidade e capacidade de comunicação.

Os ministros sectoriais não são responsabilizados politicamente pela execução do seu orçamento. Quando as surpresas se concretizam já é tarde para implementar medidas de correcção. As alterações orçamentais recaem sobre o Ministério das Finanças e não são defendidas pelos ministros sectoriais na resposta pelo que sucede aos seus orçamentos. O sistema de cortar na despesa via “não libertação de cativos”, cortes nas dotações, proibição de assunção de novos compromissos não tem funcionado, além de penalizar quem realizou esforços.

Uma nova proposta e como implementar: a execução de qualquer orçamento é sempre um exercício de risco. Uma prioridade deverá ser identificar as áreas de risco e definir o processo de vigilância. O controlo efectivo da execução orçamental exige disponibilidade de informaçãoo sobre objectivos e incentivos para a tomada de medidas adequadas para um ajustamento dos recursos orçamentais no decurso do próprio ano. Sistema de controlo reforçada, em quatro linhas: 1) responsabilização política – ao nível dos ministros de cada pasta; 2) modelo organizativo – identificação de um responsável pela execução do orçamento do ministério, que seja o único que se relacione com a DGO; preparação de uma síntese mensal do relatório de avaliação da execução orçamental e perspectivas, apresentada pelo ministro das finanças ao conselho dos ministros – processo sistematizado e sem cedências. 3) sistema de informação – cabe às entidades executoras a principal responsabilidade, e devem ter a lista de riscos para a execução; todas as instituições devem ter uma síntese da situação orçamental e perspectivas, uma página A4, publicada com regularidade (mensal? Talvez seja demasiado frequente…) 4) incentivos ao cumprimento – ministros têm que assegurar dentro das verbas dos seus ministérios quaisquer derrapagens que ocorram; ministro deve defender no parlamento reforços de verba se forem necessários (e não o ministro das finanças); responsabilização acrescida para evitar sobre-estimação de receitas que justificam despesa que depois permanece mesmo que as receitas não se materializem; em casos de desvios persistentes, a entidade seria sujeita a “auditoria permanente”, ou quase em função da gravidade; esta regime substituiria até que os responsáveis pela gestão assegurassem que a situação estava ultrapassada.

O gestor de nível mais elevado da instituição assumiria pessoalmente a responsabilidade pelos valores reportados, no sentido de garantir que eles incorporam toda a informação conhecida na entidade e falhas graves neste domínio seriam obrigatoriamente objecto de auditoria ao sistema de controlo interno da entidade. É um sistema segundo Orlando Caliço para funcionar em paralelo ao que existe actualmente, não substitui os mecanismos existentes.

Desta informação seriam calculados indicadores de aviso prévio: a) indicador do desvio face ao valor do orçamento; indicador do perfil de risco intertemporal das previsões; indicador da qualidade das previsões; divida a fornecedores em % da despesa efetiva total orçamentada; aplicações financeiras em % da despesa efetiva total orçamentada.

Como implementar? Começar por selecionar zonas de risco, e começar por essas áreas. Identificar principais entidades e variáveis associadas ao risco. E conforme for resultando vai-se alargando. Iniciar pelas áreas mais difíceis. Conhecer se as entidades têm capacidade de previsão e sabem o que está a acontecer. O modelo obriga a alguma consistência na gestão.

Comentário de Manuela Proença [DGO]

-       modelo de partilha de responsabilidade – necessária a concertação entre MF e ministérios sectoriais; crescente flexibilidade no âmbito de cada programa orçamental, com poderes de gestão para as tutelas sectoriais; adoptar opções de política que viabilizem as poupanças esperadas inicialmente para cada programa; relação entre processo orçamental e execução orçamental – importante quando está a fazer o planeamento de medidas de consolidação orçamental. Quem vai fazer e quem vai acompanhar cada programa.

-       Sobre a responsabilização, os responsáveis são avaliados pelas realizações politicas e não são avaliados pelo cumprimento dos orçamentos; não existe uma cultura de quantificação de objectivos nas políticas públicas e confronto desses objectivos com os recursos disponibilizados; avaliação custo – benefício das iniciativas deverá ter maior ponderação nos modelos a adoptar; há muitos factos consumados que é necessário evitar; mecanismos ex-ante às medidas serem tomadas. O MF deve ser uma parte activa na valorização dos encargos financeiros esperados com as novas iniciativas políticas. Procedimentos subjacentes à decisão sobre novas iniciativas.

-       Instrumentos de gestão orçamental – existência de margens de contingência é um instrumento necessário; hoje em dia são feitas por cativos específicos, e dotação previsional. Gestão orçamental deixou de ser feita por duodécimos desde 2013. Quanto à lei dos compromissos, reduzindo o seu âmbito de aplicação, deixam de existir processos de autorização de despesa; tem dúvidas sobre universos variáveis ao longo do tempo de incidência da lei; há compromissos da lei que têm de ser mantidos como disciplina – não podem ser assumidos compromissos se não existirem fundos disponíveis. Sobre as alterações legislativas, há que fazer uma avaliação da legislação existente e sobre as consequências de uma alteração no sentido da proposta. As sucessivas alterações não são normalmente sujeitas a avaliação da situação anterior.

-       divulgação do trabalho da DGO no acompanhamento da execução orçamental – o modelo que está a ser aplicado tem características próximas ao modelo proposto; intenção de reforçar partilha de informação e objectivos, envolvendo as entidades no objectivo que tem de ser cumprido; reforçar o acompanhamento ao nível do programa orçamental, antecipando riscos e medidas correctivas para os mesmos. Contempla previsões mensais por programa, e análise dos desvios entre execução e previsão. Acompanhamento dos pagamentos em atraso e dos incumprimentos em termos da lei dos compromissos. Reuniões mensais de acompanhamento. Em 2014, ajustamentos para maior envolvimento dos responsáveis sectoriais na análise da execução orçamental, melhorar previsões, analisar desvios. Estas análises são feitas ao nível da entidades. Os desvios são qualificados em função da sua natureza (excesso, poupança ou carry over). Cada entidade produz um relatório mensal. A DGO elabora um relatório para a tutela. Registaram uma melhoria na qualidade das previsões no último ano, em praticamente todos os programas orçamentais. Houve ganhos no cumprimento da lei dos compromissos. O modelo implementado pelo MF está a ter impacto no acompanhamento dos ministérios. É um processo de mudança dos comportamentos que deve ser valorizado. A consolidação do modelo é limitada pelos sistemas de informação de suporte e pela capacidade técnicas das entidades que o têm de aplicar.

-       Quanto à publicitação da informação, tem-se avançado. O boletim da DGO tem alargado a informação publicada (em âmbito institucional e variáveis publicadas).

 

Comentário de Rui Nuno Baleiras [CFP]

A execução orçamental em perspectiva – regularidade estatística, enviesamento deficitário: tendência para que as acumulações de dívida tendam a dominar (défices mais frequentes que superavit).

Será que a chave está na melhoria do processo de controlo? Sim, mas não é suficiente. Esta discussão é apenas uma parte do que é necessário para contrariar a tendência para os défices.
Antes da execução deve existir planeamento, depois execução, depois avaliação. Estas três fases têm que ser vistas como interdependentes. E há aspectos de ligação ao longo do tempo. Há uma natureza de médio prazo que não pode ser negligenciada.

Há um jogo estratégico no triângulo institucional – Ministério das finanças, ministérios sectoriais e assembleia da república não tem interesses alinhados. Há guerras de “silos”. Jogo de “gato” e “rato” entre as instituições deste triângulo. Ícones irracionais que pensam em termos de despesa.

Desafio a vencer: do antagonismo à cooperação.

Falhas de consistência estratégica: necessidade de estratégia económica e estratégia orçamental. Divórcio entre planeamento estratégico e políticas sectoriais.

As estratégias não amarram suficientemente a execução dessas estratégias.

Gestão das finanças públicas: mudança de paradigma – 7 ingredientes – estratégia económica e orçamental coerentes entre si; avaliação e revisão regulares de políticas públicas; regras de disciplina orçamental; âncoras plurianuais para a despesa pública (ou tectos de despesa a serem respeitados)-  equilíbrio entre objectivos conflituantes –sustentabilidade das finanças públicas, eficácia das políticas públicas e eficiência na gestão dos serviços públicos; contabilidade patrimonial a sério, integrada com contabilidade de fluxos de caixa; identificação e gestão de riscos orçamentais; gestão da execução orçamental (em lugar de controlo orçamental) – aspecto onde a proposta de orlando caliço entronca.

Observações sobre o conteúdo da proposta de OC – incentivos correctos, com descentralização e responsabilização – concorda com as linhas gerais da proposta.

Desconforto com alguns aspectos da proposta: a) não devemos adicionar uma nova camada de reporte sem antes avaliarmos a utilidade e a consistAvaliar a capacidade dos serviços para reportarem.tabilidade caçdo. A consolidaçimento da lei dos compromissos.  perfil de riscoência das camadas existentes. Avaliar a capacidade dos serviços para reportarem. Já há demasiados reportes, e toda a informação pedida acaba por ser prestada pelos serviços. São produzidos 195 reportes por 400 entidades ao longo do ano, qual a capacidade de usar esta informação pelao DGO.

Observações de conclusão: Pensar numa abordagem mais qualitativa em vez de abordagem quantitativa. Criar grande armazém de dados. Tornar o sistema de registo contabilístico dos serviços a fonte informativa para as entidades com deveres de acompanhamento de execução. Integração de plataformas. Retomar a sugestão de Luís Morais Sarmento de centralizar a gestão financeira de cada ministério numa única unidade, em vez da fragmentação actual.

Comentários da discussão geral:

Portugal tem problema crónico de indisciplina orçamental. O problema não está na legislação (contém os elementos de boa gestão orçamental, estão previstos os vários instrumentos internacionalmente apontados). Para onde orientar a atenção? Procedimentos orçamentais desadequados da dimensão da Administração Pública, em todas as fases – planeamento, execução e avaliação. O modelo apresentado responde a uma necessidade imediata, mas não resolve o problema de fragmentação orçamental, é necessário pensar a médio prazo nessa reformulação. Falta de capacidade técnica e de gestão no ministério das finanças; remunerar adequadamente os recursos humanos existentes.

Três questões: a) foi feita a discussão na óptica da despesa, há que olhar para o que se produz e resultados do que se produz em termos de funcionamento do sector público; b)  Sobre a legislação, não se dá importância devida na aprovação da legislação há que olhar para os custos presentes e futuros que são criados por iniciativas legislativas (são um foco de desvios orçamentais); c) Fim das cativações – a existência de cativações desresponsabiliza os serviços, e retira uma autonomia de gestão que é fundamental.

Dois comentários: a)  palavras na responsabilização de políticos, ministros e deputados e afastamento do controlo exaustivo do MF de tudo; é possível fazer com o modelo político existente?; b)  Pareceu estar ausente a administração, tudo se parece passar a nível político; é necessário contar com o papel de uma administração que está correntemente anulada, sem ela não se conseguirá alterar a situação actual. Suscita o problema do relacionamento entre os políticos e a hierarquia da administração.

Algumas questões: a) as soluções concretas são duas tabelas de indicadores – num deles é sobre as dívidas contraídas, parte das receitas vão ser aplicadas para pagar dívidas contraídas anteriormente; ter também a parte do orçamento que é usada para satisfazer compromissos anteriores; b) ser possível completar os quadros propostos por Orlando Caliço com a informação que é já recolhida; c) grande parte dos objectivos estão na óptica de contas nacionais, enquanto a proposta é na óptica de contabilidade patrimonial. É preciso uma tabela de conversão entre as duas ópticas.


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Health policy when moving out of an austerity program

Uma opinião pessoal, sobre os desafios pós-troika, que coloquei no blog theportugueseeconomy.blogspot.pt, e que disponibilizo também aqui (decidi não traduzir, por pura preguiça e falta de tempo também)

Health policy when moving out of an austerity program

1 Financial crisis, austerity and health policy

The international financial crisis of 2008 met Portugal’s domestic crisis of slow and decreasing economic growth since 2002. In 2011, Portugal had to request international financial assistance, following on the steps of Greece and Ireland.

Under the international financial assistance, a series of policy measures aimed at public finances were set in a Memorandum of Understanding. Many of these measures have been implemented to full (or some) extent.

There are now several challenges for the coming years. Some challenges derive directly from the adjustment period in public spending. Others would be present anyway.

The Portuguese policies in the health sector insert well into the overall pattern of response to the crisis. Portugal, like Greece and Ireland and other European countries, had a reduction in per capita public spending on health (EOHSM, 2014, p.14). The extension of coverage in terms of who is covered and which services are covered was not officially affected by these measures.

On financial protection, Portugal adopted measures going in opposite directions. On the one hand, it increased values of user charges (in 2012) and reduced tax subsidies for wealthier households. On the other hand, it increased exemptions to user charges by changing upwards the threshold below which exemptions apply.

A general objective explicitly included in the Memorandum of Understanding was to improve efficiency in operation of the National Health Service. This was translated into hard measures such as reduction in the level of salaries paid to health workers (a feature shared with other countries: Belgium, Cyprus, France, Greece, Ireland, Latvia, Lithuania, Romania, Slovenia and Spain).

Another area of strong intervention was pharmaceutical policy, which a strong decrease in prices over this period, which in the case of generics already started in 2010, prior to the financial rescue of Portugal. This is a common feature in the great majority of European countries.

Some reorganization in entities that do not provide care to the population also took place, with mergers and extinction of services aimed at reducing costs.

Clinical practice was also targeted with the introduction of practice guidelines. Again, other European countries adopted the same type of measures (Belgium, Cyprus, and FYR Macedonia, for example).

The discussion of public spending on health needs to recognize that its evolution results from the combination of three elements: quantity of care provided, price/cost per unit of care provided and the fraction of price that is taken up by the Government.

Broadly speaking, the majority of the adjustment in Portuguese Government spending in the health sector resulted from price effects, little or non from quantity reductions and only a small part due to shift of financial responsibility from the Government to citizens.

The crisis and the response adopted in Portugal create several challenges to the near future, which are likely to be shared by the countries that adopted similar measures.

2 The challenges for the near future

Although it is still not enough information available to provide a full assessment of the impact of the adjustment program in the NHS and in the health of the Portuguese population, it is possible to highlight several remaining challenges for the near future.

The challenges ahead can be grouped into three types. The first one is to complete reforms actually initiated before the financial rescue program. The second group contains the measures needed to achieve the adjustment program target, both in terms of results and in terms of process. The third group contains measures to set the roots of future evolution of the National Health Service.

The next two years will still be under the influence of the MoU, even though it formally ends by mid-2014.

The main current challenges relate to financial pressure on hospitals. At the forefront, we have the challenge of stopping debt accumulation of NHS institutions, most notably hospitals.

The crucial question is whether, or not, the recent changes in budgetary procedures, adopted generally in the public sector, were able to contain debt creation, by building up arrears, mostly delayed payments to the pharmaceutical industry, and increasingly to the medical devices industry.

A second challenge, staying for the moment in the background, is associated with wage cuts. These were announced as temporary ones, so either the cuts become permanent or wages are reset to their initial values. Either case poses a different threat to the National Health Service.

Giving back the wage cut implies an upward cost pressure, which must be compensate by spending cuts or cost reduction elsewhere in the system, or by additional NHS budget.

In case the wage cut is set as permanent, the challenge is to keep motivation and effort by health care professionals, who kept to a considerable extent dedication to patients and quality of care provided. This resilience may be at risk if wage cuts become permanent instead of perceived as temporary. There is considerable uncertainty on this point.

At an organizational level, also two main challenges can be identified in the near future. The first one is the integration of ADSE – the civil servants health insurance coverage into the NHS. The ADSE is an health insurance coverage offered by the Government to its employees. It was founded well before the NHS creation and did not change after the NHS start operations. ADSE is a second layer of health insurance coverage that required a relatively small contribution from beneficiaries, based on income, the remaining fund needs being provided by Government transfers. Under the adjustment program, the ADSE system must evolve to self-sustainability, that is, independence from the Government’s budget. This objective can be achieved by reducing benefits (coverage), by increasing payments from the beneficiaries or both. The increase in contributions, based on monthly wages, has already started its implementation.

ADSE does not have own provision of services. It relies on NHS provision of services and on contracts signed with the private sector (under any-willing provider conditions). ADSE has therefore a long tradition of buying services in the private sector. It is claimed sometimes that has obtained in certain areas lower prices than what the NHS has contracted with the private sector for similar services. There is no data source or reference available for a systematic verification of this.

The ADSE allows their beneficiaries to skip gatekeeping by general practitioners, unlike the National Health Service. It also allows freedom of choice in selection of the health care provider, with different coverage levels – reimbursement – being applied to on- and off-list health care providers.

Integration of ADSE into the NHS may allow for an extended role of its purchase ability and knowledge although some tensions may result on the coverage side, as the NHS will then differentiate across citizens even if the extra layer of coverage is completely funded by additional contributions. A likely issue for debate is the enrolment rules in ADSE: will remain restricted to the civil servants, as of today, or will it be open more generally?

The second major organizational challenge is the reorganization of hospital care, stated as one of the commitments in the Memorandum of Understanding, with the objective of achieving permanent cost savings. The main course of action in hospital reorganization has been concentration of management and merger of services. This originates a series of questions: is the current path a globally coherent one? Does it generate the desired efficiency gains? In particular, building up very large organizations may run into diseconomies of scale as they become too large to be manageable efficiently? Are the current changes enough?

These challenges are likely to materialize fully in 2014.

3 Challenges to the medium run

Taking a broader perspective in time, a two to three years horizon, identifies further challenges: (a) to continue the roll out and support the reform of primary care with the creation of more family health units, replacing older and larger primary care centres; (b) to complete the network of continued and long term care and make it operational and sustainable, including an adequate contractual and financial relationship with private partners. These partners are mostly from the private not-for-profit institutions; (c) the implications of the patient mobility directive, which may take a couple of years before producing relevant impacts but it will eventually matter to the Portuguese NHS; and (d) management of relations with professional orders and unions. While under the adjustment program the Government has been able to postpone a series of discussions with health professional organizations that inevitably will come back to the table as soon as the adjustment program ends.

4 Long-term challenges

Thinking on an even longer-term perspective, beyond three years, and considering a decade into the future, there are several issues in need of taking roots now for future effect.

First, redefinition of patient pathways inside the health system (National Health Service included), in particular for patients with chronic conditions, promoting more use of community services and self-management and less of hospital care.

Second, manage in a coherent and intelligent way the margins of substitution (overlap) in health care professions: nurses vs medical doctors, medical doctors vs pharmacists, pharmacists vs nurses, nurses vs trained medical assistants, etc.

Third, improve quality of management in NHS organizations, including the design and implementation of mechanisms aimed at reforming or exiting low-performance organizations from the National Health Service.

Fourth, deal with technological innovation. Innovation has been, in Portugal and elsewhere, a main driver of health care costs growth. Definition the conditions for adoption of innovation in the NHS will be a major issue. The methodological guidelines for economic evaluation in pharmaceuticals have to be revised, to reflect new knowledge and techniques, and similar principles will have to be considered for medical devices and, possibly, for technology adoption defined more broadly (including surgical procedures, or patient pathways, for example).

5 Political challenges

Finally, on top of the above technical challenges, there are two policy challenges. On the one hand, the approach of the 2015 general election may put a pressure on a coherent path for health policy. On the other hand, the political will and ability to assess what went right and wrong in the recent past will be smaller and decrease the possibility of improvement in policy actions.

6 Concluding remarks

The existence of an official austerity program in public spending conditioned health policy in Portugal. The formal ending of the program in June 2014 will leave behind several challenges. Some are directly linked to temporary measures taken during the international financial assistance period. Since not all structural problems appear to have been solved, some of the previous challenges remain. This is particularly true for debt creation in the National Health Service and temporary wage cuts.

References:

European Observatory on Health Systems and Policies, 2014, Health, health systems and economic crisis in Europe. Impact and policy implications. Summary. World Health Organization, Regional Office for Europe.


5 Comentários

juntar a REFER e as Estradas de Portugal?

de declarações oficiais transcritas nos media “a integração tendente à fusão das suas gestoras de infraestruturas de transporte ferroviário e rodoviário criando uma entidade que resulte da junção destas duas” e “procuraremos que as sinergias de natureza operacional que possam ser materializadas que o sejam o mais rapidamente possível”, fica alguma perplexidade, resultante provavelmente da minha completa ignorância das “tecnologias” em causa.

Quando se fala aqui em sinergias, gostava realmente de perceber do que se trata, se é de sinergias verdadeiras através do “processo produtivo” dos serviços prestados, ou se é “sinergias” por exercício de poder de mercado decorrente de ter duas infra-estruturas eventualmente concorrentes em alguns serviços nas mesmas mãos. É que se o primeiro tipo de sinergias permite reduzir custos e baixar preços ao consumidor final, o segundo tipo de sinergias permite aumentar preços ao consumidor final por redução das alternativas e concertarão de estratégias de preços. Logo, se em ambos os casos a noção de “sinergias” permite à empresa resultante da integração melhorar os seus proveitos, a forma como o faz não é indiferente para o consumidor final dos serviços que são prestados.

Em termos custos de produção, não é muito claro quais as sinergias de construção e manutenção que possam existir entre estradas e linhas de caminho de ferro. Não estou a ver que as matérias primas sejam as mesmas, ou que os equipamentos usados possam ser facilmente transferíveis de um tipo de obra para outro. Talvez a concepção e engenharia possam ser partilhadas (espero que algum engenheiro me esclareça se há aqui especificidades de cada área).

Parece-me ficar então sobretudo efeito do lado dos proveitos, sinergias que noutras áreas são chamadas de “poder de mercado”.

Da concessão das Estradas de Portugal, “Receitas -A concessionária tem direito a receber: a) O valor das taxas de portagem cobradas nas vias portajadas; (…)” (ver aqui), pelo que a coordenação de tarifas na infra-estrutura ferroviária (que ditarão indirectamente os preços ferroviários) e das portagens das auto-estradas é na verdade uma redução na concorrência entre modos alternativos de deslocação e transporte.

Até conseguir mais informação para perceber os diversos contornos da proposta, à primeira vista parece uma contradição com o princípio que a concorrência entre empresas é a forma de favorecer o consumidor final e promover novos produtos e alternativas. Enfim…

 

Nota: este comentário poderá ser revisto se houver informação que permita concluir que afinal há fortes sinergias do lado dos custos.

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