Momentos económicos… e não só

pastel de nata no dinheirovivo.pt

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a semana passada poderia ficar conhecida como a semana do pastel de nata do Álvaro, mas mais do que ideia lançada, é reveladora a reacção observada, como tento argumentar no dinheirovivo.pt desta semana:

Pastel de nata

16/01/2012 | 00:00 | Dinheiro Vivo

Esta semana que passou teve como ponto alto mediático o pastel de nata. Ganhou esse destaque por via do Ministro da Economia, da sugestão da sua exportação via cadeia de franchising. O ruído mediático que se seguiu, aproveitado em diversos comentários políticos é sintomático de uma atitude geral portuguesa.

Por um lado, vai-se usando a retórica da necessidade da inovação e de pensar “out-of-the-box”, no sentido de explorar caminhos inesperados. Mas quando alguém sugere algo nessa direção, a reação é adversa, não se aceita explorar novas ideias para verificar se fazem ou não sentido. Com uma certa preguiça mental, descarta-se imediatamente a nova ideia, se possível com uma dose de humor corrosivo para acentuar a rejeição.

Pensemos, porém, um pouco mais na ideia do pastel de nata e na sua exportação. Existem curiosamente algumas tentativas de fazer essa exportação. De o fabricar e vender noutros países, embora com sucesso limitado. Melhor nuns casos, pior noutros.

Um exemplo de sucesso limitado ocorreu num país asiático, de grande população e baixo-médio rendimento. Três problemas se colocaram na venda em cadeia de lojas de pastel de nata. Primeiro, conseguir posicionar o produto no segmento premium. Para o efeito, a sua confecção tem que ser adequada. Segundo, gerar o reconhecimento do produto como sendo europeu. Infelizmente, o reconhecimento de ser um produto português era basicamente irrelevante no país em causa. Terceiro, assegurar as condições de produção. Neste último caso, as necessidades de precisão no tempo e temperatura exigiam uma qualidade de mão de obra que não existia ou era demasiado onerosa.

Face aos custos de produção envolvidos, nomeadamente em termos de produto rejeitado por não preencher as condições de qualidade de um produto premium, a sua produção acabou por ser descontinuada.

Se este esforço e esta experiência estivessem inseridas numa rede mais vasta, poderia ter surgido a ideia de solicitar à engenharia portuguesa, às universidades, o desenvolvimento de tecnologia que permitisse ultrapassar as limitações de mão de obra local.

Será destas situações, de procura de soluções, que os empresários poderão estimular inovação que seja útil. Mas o primeiro passo é mesmo aceitar explorar ideias, mesmo que à primeira vista a reação seja de estranheza.

Independentemente da ideia do pastel de nata já ter sido tentada e não ter vingado de modo generalizado, não deixa de ser preocupante a reação gerada. Exigir que cada ideia tenha a visão e a profundidade de um produto revolucionário é a forma segura de nada desenvolver.

 

Rápida lista de alguns links sobre as reacções ao pastel de nata

dinheirovivo.pt

rtp

aventar

e numa busca via google

aquiaqui, aqui e aqui  e muitos mais comentários haverá certamente.

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Autor: Pedro Pita Barros

Professor de Economia da Universidade Nova de Lisboa

2 thoughts on “pastel de nata no dinheirovivo.pt

  1. Pingback: … Com os pés assentes no chão | No Reino da Dinamarca

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