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um comentário sobre o mercado de trabalho, pois aparentemente teremos subido uns pontos no ranking OCDE da flexibilidade do mercado de trabalho. Só que o que há a fazer não termina no ranking, aliás será até o menos relevante. Trabalhar para os rankings não é o objectivo, por isso devemos procurar outras indicações sobre o que se está a passar, e montar todos os mecanismos necessários ao bom funcionamento do mercado de trabalho, independentemente do lugar no ranking, pois facilmente outros países mudam as suas regras e voltamos a descer no ranking, além de a posição no ranking não garantir nada.

De caminho, sugestão de leitura: o relatório sobre evolução do desemprego, aqui, publicado antes do Verão (seria bom ir tendo actualizações semestrais dos fluxos laborais).

 

Rankings e mercado de trabalho

03/12/2012 | 01:04 | Dinheiro Vivo

Os números de desemprego continuam a ser o principal sintoma de dificuldades da economia portuguesa e constituem uma das áreas mais sensíveis da governação no atual momento.

As reformas introduzidas no mercado de trabalho nacional alteraram já a forma como este é classificado pelas organizações internacionais em termos de rigidez de funcionamento. Infelizmente, o problema de desemprego não se resolve com alterações de posição no ranking internacional da flexibilidade laboral, nem as medidas adoptadas se podem limitar a alterar o que consegue fazer uma melhoria no ranking. Trabalhar apenas para as posições do ranking não será suficiente para reduzir o desemprego.

É preciso saber que sectores de actividade económica estão a alimentar os números de desempregados. Se forem em grande medida dos sectores ditos de bens não transacionáveis ou de empresas com pouca viabilidade, então há que perceber que a recuperação da economia portuguesa, quando ocorrer, não irá provavelmente criar empregos nesses sectores ou empresas. Os valores disponíveis apontam para que praticamente todos sectores de actividade estão a libertar pessoas para o desemprego, mas com maior expressão na construção e nas actividades de “alojamento e restauração”.

O ajustamento da economia portuguesa significa que os novos empregos, quando surgirem, serão em actividades distintas das que eram predominantes antes da crise, pelo que os desempregados destes sectores deverão procurar outros sectores para trabalhar.

O mercado de trabalho tem, por isso, o desafio de conseguir fazer a transição de trabalhadores de umas actividades para outras. Há a necessidade de assegurar dois aspectos cruciais. Por um lado, que o tempo passado em situação de desemprego não é muito prolongado – quanto maior o afastamento temporal do mercado de trabalho menor a capacidade do trabalhador de voltar a trabalhar. Por outro lado, as competências e conhecimentos que poderão ser requeridos num novo emprego poderão ser substancialmente diferentes do que era exigido no anterior trabalho.
O verdadeiro sucesso das políticas para o mercado de trabalho não vai estar na subida nos rankings da flexibilidade, e sim na capacidade de fazer a passagem de trabalhadores de sectores ou actividades que decrescem em relevância para sectores que apresentem potencial de crescimento. O ideal, para o reequilíbrio da economia portuguesa, é que o crescimento de emprego se venha a registar nos chamados sectores de bens transacionáveis. E é essa informação que deve ser apresentada para se avaliar do sucesso (ou não) das novas regras para o mercado de trabalho.

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Autor: Pedro Pita Barros

Professor de Economia da Universidade Nova de Lisboa

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