Momentos económicos… e não só

Fórum de cuidados de saúde primários (parte III)

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Continuando a rever as notas que então tirei, um outro ponto de discussão foi a receptividade de quem está nos cuidados de saúde primários a estas transferências  e a relação entre cuidados de saúde primários e cuidados hospitalares.

Uma das ideias surgidas das intervenções foi a de focar no processo de cuidados, e no seu fluxo entre níveis de cuidados, e não no que é transferido, ou não; na importância da partilha da informação clínica e na organização dos cuidados na doença crónica.

As pessoas que estão nos cuidados de saúde primários consideram, na sua maioria, que as organizações estão preparadas para estas transferências de actividade, embora os profissionais estejam menos preparados do que as organizações propriamente ditas (o que não deixa de ser curioso, dado que a maioria das pessoas que respondeu ao inquérito de onde saíram estas implicações trabalha nos cuidados de saúde primários).

De qual forma, na discussão foi dado destaque à ideia de que não é uma questão de transferência de doentes e sim uma questão de mudança de paradigma na forma de abordar os doentes e a doença. Foi sugerido que as Unidades Locais de Saúde não são suficientes, nem se calhar são necessárias. Aliás, as ULS foram criticadas argumentando-se que existem outras formas de integração que são possíveis e que geram os ganhos esperados dessas relações. Como exemplos foram dados o cada ACES (agrupamento de centros de saúde) ter a mesma área de influência do hospital de referência e o papel dos enfermeiros na gestão de algumas doenças crónicas e mesmo alguma terapêutica (sendo que nem sempre essas intervenções se têm revelado custo efectivas).

Do lado dos hospitais, a visão que foi apresentada na discussão referiu que os hospitais não estão preocupados com perder fundos se todos ficarem melhor, em especial os doentes. Concordou-se que a integração é a palavra chave para uma melhor solução na prestação de cuidados. E sugeriu-se que houvesse para os médicos de medicina geral e familiar um período ERASMUS – Hospital, uma parte da formação ser feita no hospital junto dos especialistas de medicina interna. Foi igualmente questionada a capacidade de resposta dos cuidados de saúde primários, dado que é uma especialidade com um perfil de profissionais envelhecido, e que os desenvolvimentos próximos deverão focar nas pessoas que ainda não têm médico de família.

Este aspecto gerou uma reacção imediata, com a referência à suficiente formação que actualmente é dada aos médicos especialistas de medicina geral e familiar.

Ou seja, as divergências ou diferenças de cultura e percepção de posição relativa que estão muitas vezes latentes nas posições tomadas sobre as dificuldades de maior integração entre níveis de cuidados não deixou de ser integralmente revelada nestas posições.

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Autor: Pedro Pita Barros

Professor de Economia da Universidade Nova de Lisboa

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