Momentos económicos… e não só

Turismo médico (vs. turismo de saúde) (1)

3 comentários

No mês passado, o health cluster portugal promoveu uma conferência onde foi discutido com detalhe o projecto de fazer de Portugal um destino de turismo de saúde. É mais correcto, na verdade, utilizar-se o termo turismo médico, apesar de se estar a generalizar a designação de turismo de saúde. A questão da definição não é inócua, uma vez que turismo de saúde engloba também o turismo destinado aos SPAs e termas, por exemplo, e tem por isso uma característica eminentemente individual, enquanto o turismo médico é direccionado para a resolução de problemas clínicos.

Nessa conferência, Neil Lunt, que fez recentemente um trabalho de revisão do tema para a OCDE, trazia uma palavra de cautela, procurando chamar a atenção para vários “buracos” nas discussões correntes sobre turismo médico.

Desde logo, as previsões de procura global – a recomendação de Lunt é a de cautela na utilização de números que são avançados, uma vez que não existe uma recolha sistemática e sistematizada da utilização de turismo médico. As previsões surgem “do nada” e são repetidas até se tornarem aceites, mas sendo que frequentemente se resumem a uma única fonte não confirmada.

Também resulta do seu trabalho e da apresentação realizada, a necessidade de compreender bem o lado da procura de turismo médico antes de se iniciar um projecto de oferta de serviços de turismo médico.

Uma das principais ideias resultantes da análise feita é a importância a ser dada a “facilitadores” de encontro entre procura e oferta – o papel das redes, da informação sobre prestadores, sobre organização das viagens e alojamento, verificação da qualidade dos cuidados prestados, apoio nos períodos pós-intervenção médica, tratamento de questões legais que surjam.

Pensar na forma como a “procura” e a “oferta” se encontram no caso dos serviços de turismo médico tem que ser feito ao nível do país de origem e do país de destino.

(continua…)

 

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Autor: Pedro Pita Barros

Professor de Economia da Universidade Nova de Lisboa

3 thoughts on “Turismo médico (vs. turismo de saúde) (1)

  1. Comentário recebido via LinkedIn:
    “O mesmo assunto foi também discutido, inter alia, na Conferência “As TIC e a Saúde no Portugal de 2012” organizada em 11.12.2012 pela APDSI, na qual vários dos oradores se mostraram otimistas quanto ao possível sucesso de uma maior aposta no turismo médico, atentas as capacidades técnicas instaladas, a qualidade dos recursos humanos e a posição geográfica do país, que o tornariam conpetitivo até em relação aos destinos mais frequentes do turismo médico por parte dos norte-americanos.”

    Obrigado pelo comentário e pela chamada de atenção para essa conferência, que foca no que tem sido consensual sobre turismo médico e potencialidades de Portugal. A questão central é o que sustenta realmente esse optimismo, porque
    a) não basta nós considerarmos que temos essa capacidade técnica; é necessário que os “outros” (quem decidir sobre turismo médico) também o façam.
    b) no turismo médico americano pesa de forma relevante o facto de irem frequentemente ao encontro de médicos que foram treinados nos estados unidos
    c) não haver números fiáveis do que é o potencial desse “turismo médico” dos norte-americanos.

    Mas em próximos posts, procurarei tratar de porque talvez seja bom ir para além destes aspectos, como disse consensuais, e saber se serão realmente os suficientes para vingar no campo do “turismo médico”.

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  2. Caro Prof. Pita Barros,

    Outro (bom?) exemplo é o turismo dentário do Reino Unido para países do Leste (principalmente Polónia). Este será eventualmente mais interessante de se ver uma vez que o NHS britânico assegura cuidados básicos de estomatologia e odontologia mas para operações mais complexas (próteses ou reconstruções) os clientes preferem muitas das vezes pagar do próprio bolso, danda a diferença qualitativa do serviço prestado extra-NHS e dentro da rede.

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  3. Obrigado pelo exemplo.

    O turismo dentário para a Polónia é provavelmente um bom exemplo, digo provavelmente porque não conheço detalhes. O facto de ser um serviço que não tem grandes economias de escala (pequenas clínicas dentárias sobrevivem sem problemas), de a tecnologia ser relativamente standard, significa que o argumento preço deve pesar de forma relevante na decisão (e não ser apenas uma questão de maior qualidade de tratamento na Polónia).
    Os aspectos menos óbvios de conhecimento e reputação dos dentistas polacos e de segurança legal devem estar assegurados por qualquer mecanismo a conhecer.

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