Momentos económicos… e não só

Turismo médico (vs. turismo de saúde) (6)

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O último aspecto desta série de considerações sobre turismo de saúde motivadas pela conferência de Neil Lunt no evento anual do health cluster portugal é o papel da intervenção do estado.

A pergunta de partida para discutir essa intervenção é saber qual a externalidade, bem público ou falha de mercado que requere essa intervenção. A este respeito, não é clara qual é essa externalidade, nem qual é a base de informação que definirá o tipo e intensidade de intervenção. Tanto mais que os governos dos países podem estar em vários lados do “turismo médico”, nomeadamente nos países onde existem serviços nacionais de saúde. Podem estar como parte da procura, fazendo “outsourcing” de serviços de saúde para os seus cidadãos, como podem estar do lado da oferta, através das unidades de saúde públicas.

A externalidade mais óbvia para ser invocada é a reputação de um país como destino de “turismo médico”, mas a importância dessa reputação dessa da procura a que se destina (por exemplo, qual a sua verdadeira relevância num “turismo médico” centrado na diáspora portuguesa?). Carece de demonstração que existe um capital reputacional ao nível do país que só pode ser construído com intervenção pública, e que essa intervenção pública consegue alcançar o resultado pretendido (as campanhas de turismo, várias, que têm sido ensaiadas para a reputação de Portugal como destino turístico poderão dar informações interessantes para um eventual esforço de criação de reputação de país).

Diferente é a actuação das unidades do sector público enquanto entidades empresariais.

Uma questão a ser tratada com cuidado é saber que enquadramento dar a unidades de saúde do Serviço Nacional de Saúde (e como tal públicas), que se decidam a participar no “turismo médico”, como serão financiados os investimentos e os custos dos serviços que prestam? Em particular, como evitar que se os custos excederem as receitas de participação no “turismo médico” seja o contribuinte português a pagar? É que na presença de uma almofada financeira, no sentido de a unidade de saúde não fechar, a tentação de aumentar volume de actividade mesmo que perdendo dinheiro poderá estar presente. E convém acautelar desde já essas situações. Poderá passar por uma proibição de as unidades do sector público participarem no “turismo médico”, mas será essa a única, ou a melhor, solução? Qualquer que seja a solução adoptada, é importante que seja definida desde já, para que depois não se esteja perante factos consumados.

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Autor: Pedro Pita Barros

Professor de Economia da Universidade Nova de Lisboa

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