Momentos económicos… e não só

debate geral?

7 comentários

Foi muito discutida ontem a falta de autorização para a comunicação social reportar as posições individuais expressas pelos oradors na conferência “Um Estado para a Sociedade” a menos que os oradores dessem autorização expressa ou falassem à margem da conferência.

Se há tanto interesse no debate, então é adequado pensar em alargar o âmbito da discussão. Deixo três sugestões, que não são mutuamente exclusivas, para o fazer:

a) desenvolvimento de uma consulta pública alargada, em que exista submissão de propostas apresentadas por cidadãos para dar resposta a questões bem definidas, sendo depois feita uma selecção das melhores (maior impacto potencial e/ou maior facilidade de aplicação) para discussão pública em seminário de um ou dois dias, dependendo do volume de propostas;

b) descentralização geográfica do debate, com replicação de um dia de discussão sobre os temas cruciais em vários pontos do país;

c) sistematização, depois de cada evento, em termos de recomendações operacionais (que possam ser discutidas e eventualmente aprovadas e aplicadas).

Estes passos subsequentes obrigam ao empenhamento de recursos humanos e de tempo. No entanto, criar um consenso, ou pelo menos um maior conhecimento, sobre o que está em causa, conhecer quais são as opções preferidas das pessoas, ouvir outras opiniões, poderá dar um maior sentido de participação a todos e levar a uma melhor decisão final.

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Autor: Pedro Pita Barros

Professor de Economia da Universidade Nova de Lisboa

7 thoughts on “debate geral?

  1. A e C sem dúvida. Mas em um mês consegue-se debater o que já deveria ter sido debatido e concretizado em pelo menos uma década? Não estamos novamente a caminhar para obter uma solução em cima do joelho?

    Porque não são consultadas as universidades Portuguesas e respetivos investigadores a pronunciarem-se em vez de profissionais que nada conhecem da realidade Portuguesa? Impressiona-me sempre os milhões avultados pagos em consultadoria a empresas estrangeiras (não é este caso) quando se podia recorrer às universidades Portuguesas e aos seus investigadores.

    Além da suposta confirmação de fontes do FMI que o relatório foi “feito a pedido” há algo que me preocupa e que por não ser economista ou talvez por ser desatento por natureza não encontrei resposta.

    Porquê o número mágico de 4 mil milhões de euros? Porque não outro valor qualquer?

    Teoria da conspiração: este valor serviria para pagar a rescisão de quantos funcionários públicos a 12 dias por ano de trabalho?

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  2. Não creio que tenhamos de correr para fazer tudo num mês. Tem que haver mais tempo para esta discussão. Esta discussão tem que ir para além dos 4000 milhões de euros. Mas o valor está associado com menor receita fiscal por a actividade económica ter baixado mais.

    Teoria da conspiração ?? quem sabe, hoje em dia é melhor não apostar nada nestas coisas.

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  3. Caro Pedro
    Um tema destes sem uma polemicazinha destas nao teria piada e motivo de debate lateral.
    Problemas:
    1- aproveitar os tempos de crise para tomar decisoes com incidencia profunda nas Sociedades e tecnica antiga.So que agora vivemos numa renovada sociedade mass mediatica e os jornalistas esto a perder terreno face aos socialmedia. E a The Chatham House Rule nao se aplica em ambientes Restauradores.
    2-uma perspectiva elitista do debate não convence se nao for gerida com outra dimensão.Como a que propões. A verdade e que algumas das elites presentes ja sabemos o que pensam.Mas nao tenho ideia de alguns deles se terem envolvido muito nos últimos anos pelo obrigatório processo de reforma do Estado.
    3-entre regressar aos mercados e reformar o Estado este ultimo implica consenso a favor.O primeiro encontra consenso conforme os mercados.
    Este momento de debate esta a ser demasiado visto como luta pelo Poder estratégico num contexto de reformatacao do capitalismo financeiro em Portugal e no quadro do austeritarismo nórdico em pratica.
    4-A postura de benchmaking com as melhores praticas do funcionamento do Estado, nem sequer e falada.Porque, e neste caso dis Restauradores se pretendeu meter o Rossio na Rua da Betesga.
    5-O hino deste tema poderia ser a canção do Xico Buarque : ” tanto mar…”
    Abraço de um Bom Dia
    Francisco

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  4. Meu caro

    Tal “conferencia” denotou academismo e mesmo alguma, como direi… presunção, está-se afinal a luas da realidade do mundo que os rodeia, têm o mesma postura que o olhar dos serões de Paris do Jacinto que pretende reformar Tormes, mas… não consegue ir para alem das delicias da canja.
    Quanto se pretende fazer em dois dias algo que se podia e devia ter feito desde 83/85, sem nunca se ter feito, como qualquer gestor de empresas não estatais saberá, só pode dar asneira.
    Para isso, para reformar o que está obsoleto, sem derrubar tudo de qualquer maneira é que houve quem cria-se ferramentas de melhoria continua, como o Kyzen e o Lean.
    Não é por meter o Rossio na Rua da Betesga que se melhora o Terreiro de Paço.
    Juntar ao disparate de discutir em dois dias estas coisas, com as regras da Chatham House Rule, só o tornou tudo… Chato e Rude, e matou a ideia à nascença.
    Infelizmente não creio que oiçam as suas propostas para um debate alargado, o atabalhoado até agora demonstrado em tudp o que pretendem fazer, assim o indica.
    JB

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  5. Caro Jorge,
    Há que encarar estes dois dias como tendo sido o princípio, ou parte do princípio. Só sobre saúde esta semana e meia há muitas conferências a ocorrer. Mas normalmente sem consequências além de cada um falar aos seus convertidos, e há que encontrar os mecanismos para ir além disso.

    O facto de haver tantas organizações sobre saúde significa que existe a disponibilidade para falar, temos que depois extrair, condensar, o que se conseguir para uma decisão colectiva. O que aliás leva à ideia de que seria útil existir um ponto de contacto para o qual as conclusões de todas estas reuniões podem ser canalizadas.

    Não são dois dias que resolvem. É tarefa nossa ajudar a fazer o resto. Ajudar a desligar da noção de que tudo para o Estado dos próximos 30 anos tem que ficar decidido até Fevereiro. Ter o Verão como o limite é mais razoável. Há que fazer o trabalho de forma séria para que seja credível e não seja apenas adiar indefinidamente.

    Até porque dava jeito aproveitar o Verão para reler Eça.

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    • Caro Pedro

      Deus o oiça!

      Quanto às leituras, já seria bom que ao menos… lessem!

      Podiam ir começando por Antero e Garret antes de Eça, para depois abordar Pessoa, mesmo quando já disseram que leram as memórias de Adriano… pour c’est trés chique! 😉

      JB

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