Momentos económicos… e não só

prevenção, seguro e risco moral ex-ante

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No estudo dos efeitos de seguro de saúde (protecção em geral, seja pública ou privada), um problema que se assinala sempre é a existência do chamado risco moral ex-ante – pelo facto de se saber que tem protecção em caso de doença tomam-se menos acções e atitudes de prevenção, o que aumenta a probabilidade de realmente ter doença. Nem sempre é fácil arranjar bons exemplos disso, mas a partir de agora tenho um exemplo perfeito – o anúncio do Montepio, em que  a mãe está despreocupada com riscos que aumentam a probabilidade de as crianças necessitarem de cuidados de saúde (brincar nas escadas, subir a árvores ou andar no meio das urtigas) por ter cobertura de seguro. A ideia de que se alguém tem por missão cuidar da nossa saúde, então pode-se tomar comportamentos de risco, é uma aplicação directa das ideias de risco moral ex-ante. E se a utilização desta cobertura implicar uma “taxa moderadora” a ser paga quando a Ritinha cair das escadas, bater com a cabeça e os pais quiserem fazer uma TAC, pelo menos, então passará a ser um exemplo perfeito da teoria… e também um exemplo de como os mecanismos de protecção ajudam a aumentar as despesas com saúde.

 

Calculei que não fosse o único a ter achado o anúncio um pouco estranho, e no delito de opinião surge a mesma estranheza mas por outros motivos, próximos mas não exactamente os mesmos.

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Autor: Pedro Pita Barros

Professor de Economia da Universidade Nova de Lisboa

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