Momentos económicos… e não só

tem coisas que não entendo…

2 comentários

Tem-se falado muito da intervenção da Autoridade da Concorrência no sector bancário. Houve um coro quase unânime a apregoar a elevada concorrência no sector.

Notícia encontrada no dinheirovivo.pt: “Bancos querem limitar taxas de juro nos depósitos a prazo” – porquê? para melhorar a rentabilidade. Ou seja, os bancos querem reduzir a concorrência que fazem entre si para captar depósitos, através das taxas de remuneração que oferecem. Como não se podem encontrar e decidir conjuntamente, usam a regulação via Banco de Portugal como instrumento de redução de concorrência no preço oferecido pelos depósitos. Concorrência não é só publicidade, com margens administrativamente fixadas elevadas. Concorrência é concorrência via preço, mesmo! Não é por ser por regulação que esta limitação deixa de ser uma tentativa de cartelização no mercado. Aliás, até mais interessante, porque acordos genéricos têm muito menos força que uma norma regulatória. O passo seguinte será pedirem ao Banco de Portugal que determine qual a quota de mercado de depósitos que cada um poderá ter, para assegurar a rentabilidade devida a cada banco (mas este passo não creio que seja tornado visível, se quiser ser dado). A linha entre regulação prudencial e “captura regulatória” é ténue. Veremos se é ultrapassada.

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Autor: Pedro Pita Barros

Professor de Economia da Universidade Nova de Lisboa

2 thoughts on “tem coisas que não entendo…

  1. Caro Pedro,

    A limitação às remunerações dos Depósitos a Prazo reapareceu recentemente em Portugal. Para sermos honestos, foi uma cópia do movimento em Espanha, onde o banco central impôs a necessidade de alocar capital a depósitos cuja remuneração fosse acima de determinado limite.
    Alocar capital a passivos bancários é já de si uma novidade: as regras internacionais determinam as necessidades de capital em relação aos activos (ponderados pelo risco).
    Lembro-me de na altura ter tido a mesma leitura que aqui fazes: a banca a promover por via regulatória uma transferência de riqueza dos depositantes para os accionistas.
    Mas é sempre preciso ter uma explicação plausível para conseguir convencer um regulador. Desta vez foi o argumento que os bancos mais frágeis pagavam melhor pelos depósitos, conseguindo atrair clientes, uma vez que estes gozam do sistema de garantia de depósitos (não são afectados pela fragilidade do banco onde depositam o dinheiro). Seria o conhecido efeito de “gamble for resurrection” por parte do banco fragilizado.

    Mas se o problema é a “selecção adversa”, a melhor solução viria certamente do prémio de risco a pagar pela garantia de depósitos, em função do risco do segurado (neste caso, o segurado é o banco e a pessoa segura é o depositante).
    Uma segunda medida seria criar uma franquia na garantia de depósitos, para não diminuir o incentivo dos depositantes em monitorar o banco em que confiam o dinheiro.

    Faz sentido?

    Um abraço,

    Gonçalo Leónidas Rocha

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  2. Olá Gonçalo,

    Obrigado pelo comentário.

    para esse problema – aproveitar as pessoas estarem seguradas para ignorarem o risco do banco desaparecer e com ele os depósitos de valor muito elevado – parece-me mais natural uma solução do tipo que indicas, eventualmente uma combinação das duas – contribuição de acordo com risco, mas também não proteger os primeiros 5000 ou 10000 euros como forma de os depositantes monitorizarem os bancos onde colocam os seus empréstimos. Se o problema é na informação sobre as motivações e incentivos dos bancos para determinadas estratégias, então deve-se actuar o mais proximamente do problema. Gosto bastante das tuas soluções!

    Abraço
    Pedro

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