Momentos económicos… e não só

“O trabalho – uma visão de mercado” (1)

1 Comentário

Num momento em que discute aspectos de salário mínimo e de funcionamento do mercado de trabalho, é conveniente assentar ideias e conceitos, para o que proponho uma leitura comentada do livro de Mário Centeno (e Álvaro Novo, conforme refere Mário Centeno no prefácio) para a Fundação Francisco Manuel dos Santos – “O trabalho, uma visão de mercado“.

O contexto do ensaio é dado logo à partida – no contexto de uma economia de mercado, o mercado de trabalho tem “falhas” que justificam a existência de “instituições”, mas estas “instituições” nem sempre são benevolentes ou cumprem o papel ideal que lhes esteve na origem. Embora Mário Centeno não o refira tão directamente, haverá também uma atenção às “falhas” das instituições. Por instituições entende-se aqui o quadro legal em vigor como fazendo parte de uma definição lata de como a sociedade procura organizar o funcionamento do mercado de trabalho.

A proposta de reflexão apresentada é arrojada: “Pretendemos neste ensaio apontar erros que não devem ser repetidos. Avançamos com soluções que se baseiam no mercado e nas pessoas.” O ponto central da argumentação será a “transmissão de incentivos correctos”, o que nos forçará a pensar nos três elementos: o que e como é transmitido? o que são incentivos e quais os susceptíveis de serem usados no mercado de trabalho? o que significa “correctos”, qual o ponto de referência para definir o que é correcto? “correcto” em termos económicos, de procurar a melhor afectação de recursos, passando então a ter que se definir o que é “melhor” (mas é mais fácil)? ou “correcto” de um ponto de vista moral, que então terá de ser definido nesse campo?

Sem termos uma forte clareza nestes aspectos será difícil progredir na procura das soluções. Tomemos um exemplo simples – se o ponto de referência é todas as pessoas terem um emprego com igual salário teremos um referencial do que é “correcto” e das instituições que o podem garantir do que se disser que o esforço maior (ou menor) e a capacidade maior (ou menor) deve ser recompensada com maior (ou menor) salário.

O próximo texto tratará do capitulo 1.

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Autor: Pedro Pita Barros

Professor de Economia da Universidade Nova de Lisboa

One thought on ““O trabalho – uma visão de mercado” (1)

  1. Eu não sou economista. Eu sou apenas pensador.

    Sempre o disse durante toda a minha que o valor auferido por uma pessoa deve, na minha estar relacionado com o seu contributo para a sociedade. Sei que isto é muito complicado de se quantificar, mas penso que será óbvio que o senhor que todos os dias passa aqui à 1 da manhã para apanhar o lixo que o meu prédio faz, contribuí largamente mais para a sociedade do que muitos outros, e agora veja-se bem o que esse senhor aufere. e quem está disposto a fazer o seu trabalho. Isto dá pano para mangas, e discutir como se quantifica o contributo para a sociedade é uma tarefa hercúlea, mas não deveria ser feita?

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