Momentos económicos… e não só

nas questões de energia,

4 comentários

é sempre útil dar atenção a Mira Amaral, no ionline. Embora não coloque as questões dessa forma, Mira Amaral identifica dois tipos de problemas. Um é político (que se torna jurídico) – a capacidade de influência de decisões políticas por parte de grupos, que depois são transformadas em leis ou contratos que solidificam posições e “rendas económicas”. A dificuldade de limitar as ditas “rendas excessivas” não é só política, é também legal. O segundo problema é económico, os custos de produção de cada tipo de energia têm que incluir os custos que criam ao sistema como um todo. E no caso das energias renováveis, a atenção centrou-se sempre na necessidade de atrair investimento privado e daí oferecerem-se taxas de remuneração do investimento seguras e muito atractivas, e com o amadurecimento das tecnologias e sua divulgação não se fez a passagem para uma remuneração “de mercado”, com incerteza e dependendo do mérito do desempenho apresentado, nem se passou a incorporar o custo imposto ao sistema para segurança da continuidade de serviço. Se percebi correctamente o argumento de Mira Amaral, como há imprevisibilidade no vento, é necessário ter centrais térmicas de produção de energia sempre preparadas para funcionar caso haja uma quebra inesperada na produção eólica de um momento para o outro. E esses custos não estão a ser pagos pela produção de energia eólica e sim pelos consumidores em geral. Chegando a este ponto, há que pensar no que possa ser feito, e infelizmente Mira Amaral não nos dá soluções (acredito que as tenha pensado, mas não as detalha no artigo).  A meu ver, há aqui duas actuações, que não são mutuamente exclusivas, podem ser consideradas – primeiro, saber qual a real imprevisibilidade do evento para se avaliar quanto de segurança adicional pelas centrais tradicionais é preciso manter (até é possível que já esteja a ser feito, espero que sim). Segundo, se há necessidade de um “seguro” contra a imprevisibilidade do vento (ou da água/chuva ou do sol), então deveriam ser as produtoras de energia renovável a pagar esse “seguro” – deveria ser um serviço pago pelas empresas de energia renovável, e retirado da conta dos consumidores. Ah, e não haverá o problema de essas empresas repercutirem esse custo sobre os consumidores? bem, se as remunerações auferidas por essas empresas estão fixas por contrato, não há razão para isso. Se não estão, então pelo menos nas suas decisões de produção passam a incorporar todos os custos relevantes da actividade, o que é sempre desejável.

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Autor: Pedro Pita Barros

Professor de Economia da Universidade Nova de Lisboa

4 thoughts on “nas questões de energia,

  1. Caro Prof. Pita Barros,

    Isto dava imenso pano para mangas… Em termos de previsibilidade – e se excluir-mos a rebombagem em barragens – tem de existir uma duplicação de capacidade (i.e. por cada MW eólico / solar tem de existir uma disponibilidade de 1 MW térmico) para se garantir independência energética.

    Obviamente que essa “reserva de capacidade” deveria ser imputada ao custo das renováveis, mas não é… vai direitinha aos consumidores (via custos de interesse geral) para pagar à EDP (e à Endesa, salvo erro) para manterem centrais de ciclo combinado paradas.

    Olhando para isso, é fácil de perceber o porquê de ser um “negócio da China” (agora, literalmente!) para a EDP: recebe por manter centrais paradas (e recebe como se as mesmas produzissem!) e recebe para produzir energia eólica (bonificada E com compra garantida, o que leva o Estado, em algumas alturas, a despejar energia a preço zero (sim, ZERO, de borla) para Espanha enquanto paga a mesma a tarifa total ao produtor…

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  2. Pedro
    Como dizia o outro, só interessa ouvir o que diz o Mira Amaral para decidir que “não vou por aí”.
    No que diz respeito à energia, os comentários do Mira apenas procuram criar um espaço para os seus interesses pessoais. Quem conhece o meio sabe que, nos ultimos anos, não disse ou escreveu absolutamente nada que fosse inocente ou desinteressado.

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  3. Caro Anónimo,

    Em relação à energia e à indústria, interessa-me sempre o que o Mira Amaral tem a dizer. Neste caso específico, tem toda a razão e quem “conhece o meio” sabe da rede de interesses e jogadas políticas que têm rodeado a nossa política energética, com um favorecimento lesa-pátria das energias eólicas e fotovoltaica (fomentado pela EDP e com o apoio de alguma industria metalomecânica e tendo como principal “actor político” o Eng. Carlos Pimenta).

    Obviamente que agora ficou tudo consolidado com uma passagem absolutamente inacreditável da energia para o ambiente (semelhante a passar a pasta da economia para as finanças…), com o esvaziamento do Ministério de Pires de Lima.

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