Momentos económicos… e não só

13ª Conferência Nacional de Economia da Saúde (2)

2 comentários

 

Na 13ª Conferência Nacional de Economia da Saúde, houve dois trabalhos sobre temas próximos, e que se complementam (Álvaro Almeida, “o efeito dos sistemas de incentivos na produtividade dos profissionais de saúde: o caso da actividade cirúrgica de um hospital do SNS”; e o meu trabalho “The efficiency spillovers of intramoenia activity”)

 

Ambos os trabalhos procuram analisar o efeito da produção adicional proporcionada pelo SIGIC na produtividade. Enquanto Álvaro Almeida procura analisar a produtividade das equipas envolvidas na produção adicional, a minha preocupação foi com a criação de efeitos globais, em que eventuais melhorias de funcionamento associadas com essa produção adicional se alarga a toda a actividade realizada. São, por isso, dois trabalhos perfeitamente complementares.

 

No trabalho de Álvaro Almeida comparam-se cirurgias idênticas em tudo menos no regime de trabalho das equipas – num dos casos é o regime normal, de programa anual de actividade, e no outro caso é a produção adicional, que tem um sistema de incentivos diferente. Na produção adicional há recompensas associadas com incentivos monetários, com maior flexibilidade na gestão do seu tempo, liberdade de constituição das equipas, etc. São analisadas em detalhe as várias fases do procedimento cirúrgico (em termos de tempo do processo). São usados dados de 2010. Os resultados apontam para uma maior rapidez quando se trata de uma intervenção de produção adicional, com uma produtividade 35% superior. As diferenças são significativas em todas as fases e em todo o tipo de cirurgias.

 

Como explicações possíveis para a diferença de produtividade encontrada, conjecturam os autores que estarão o interesse em resolver rapidamente o trabalho, maior flexibilidade na organização da intervenção, maior colaboração entre as equipas.

 

No outro trabalho, usando um indicador mais agregado mas similar, o tempo de internamento, procurou-se avaliar se nos hospitais onde há mais actividade adicional também a actividade normal beneficia de mudança de métodos de trabalho e organização. É usada informação agregada pelo que não se consegue, nem é o objectivo, identificar o que está na base do efeito de organização global.

 

Em termos de regularidade estatística encontra-se um efeito de menor tempo de internamento nos casos que são produção adicional, usando dados de 2010, o que é um resultado consistente com a análise detalhada de um hospital, e encontra-se também uma regularidade de mesmo os casos que são produção normal terem um menor tempo de internamento quanto maior é a proporção de casos de produção adicional no hospital, para o mesmo GDH.

Os slides referentes à minha apresentação deste trabalho encontram-se disponíveis aqui

Anúncios

Autor: Pedro Pita Barros

Professor de Economia da Universidade Nova de Lisboa

2 thoughts on “13ª Conferência Nacional de Economia da Saúde (2)

  1. Todos os trabalhos de analise dos incentivos a produção adicional são interessantes, enfatizando o facto de haver uma maior rapidez, inter-ajuda na equipa multidisciplinar, contudo não nos podemos abstrair do facto de que os doentes inseridos numa lista de cirurgia adicional são doentes com menos co-morbilidades e patologias, com menor probabilidade para complicações anestésicas e cirúrgicas, reduzindo o tempo operatório e consequentementemente menores tempos de permanência hospitalar.
    Como profissional de saúde em ambiente de bloco operatório e estudante de mestrado da faculdade de economia da universidade do Porto, acho importante enfatizar neste trabalho se a comparação entre as cirurgias engloba a caracterizao do tipo de doentes intervencionados.

    Gostar

  2. Cara Aurea
    Obrigado pelo seu comentário. Em qualquer um dos dois trabalhos houve a tentativa de controlar para esses factores. Digo tentativa porque não se pode ter a certeza de todos os factores terem sido efectivamente controlados na sua totalidade. No caso do meu trabalho, a forma mais em bruto de procurar ter em conta as diferentes condições de partida foram a informação dos diagnósticos e procedimentos de cada caso, que constam da base de dados dos GDH. De qualquer modo, essa característica deverá afectar quando muito a estimativa da eficiência de tratamento em cada tipo de produção, mas não necessariamente a externalidade provocada nos outros casos, que é o efeito que pretendia ilustrar.
    Estou aberto a sugestões de como procurar melhor controlar as características dos doentes intervencionados.

    Gostar

Deixe um momento económico para discussão...

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s