Momentos económicos… e não só

13ª conferência nacional de economia da saúde (3)

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Os aspectos de “economia comportamental” (“behavioral economics”) também tiveram espaço de destaque na 13ª Conferência Nacional de Economia da Saúde, com uma apresentação plenária de Matteo Galizzi e com vários trabalhos associados ao tema em diversas sessões.

A apresentação de Galizzi focou no que é a definição de “economia comportamental”, em que difere da “economia convencional”, e em que medida temos conhecimento suficiente para estabelecer políticas com base nas análises de economia comportamental.

O primeiro aspecto importante foi distinguir economia comportamental de economia experimental. A segunda identifica uma forma de análise, usando experiências sociais controladas, normalmente em laboratórios próprios, em que as pessoas são colocadas perante alternativas e têm de tomar decisões. A economia experimental é uma metodologia que tanto pode ser usada na economia comportamental como na economia convencional.

E então, qual a definição de economia comportamental? É proposta a definição de ser a aplicação à economia convencional do conhecimento acumulado das áreas de psicologia e de conhecimento cognitivo.

Qual a contribuição da economia comportamental? Três aspectos foram identificados por Galizzi – os chamados “nudges” (não conheço uma boa tradução em português, a ideia é dar pequenas chamadas de atenção ou pequenas mudanças de enquadramento para a decisão que levem a que de facto se inicie o processo de mudança), políticas de fornecimento de informação e políticas de incentivos baseadas em resultados da economia comportamental.

Um exemplo simples das diferenças entre a economia convencional e a economia comportamental apresentado foi o do conjunto de opções de escolha. Segundo a teoria económica convencional, dar mais opções não é pior. Segundo a economia comportamental, mais opções podem levar a um cansaço no processo de escolha, levar mesmo a uma paralisia na análise ou levar a fazer menos porque se perde muito tempo na análise de todas as opções.

Outra contribuição da economia comportamental está no papel de pequenos elementos, embora alguns tenham posteriormente mostrado ser menos importantes do que parecia à partida. O exemplo apresentado foi o da informação sobre produtos alimentares – será que mais informação nas embalagens leva a escolhas diferentes das pessoas? Curiosamente a evidência não é conclusiva, e até encontram casos de comportamento perverso – por escolher primeiro num produto uma embalagem de comida mais saudável, as pessoas sentem-se mais à vontade para ter “desvios” menos saudáveis noutros casos.

Um terceiro aspecto focado foi o papel dos incentivos monetários, que podem ter efeitos não pretendidos noutros comportamentos além do visado pelos incentivos. Os incentivos monetários funcionam em alguns casos, mas não sempre.

Relativamente aos “nudges”, a ideia central é fazer pequenas mudanças no enquadramento da decisão para obter alterações de comportamento, sendo um exemplo o que sucede com a doação de órgãos. Quando se passa a ter que declarar que não se pretende doar tem-se uma situação muito diferente de quando é necessário declarar que se está disponível para doar órgãos em caso de morte. A inércia domina a escolha, o enquadramento que é dado à decisão determinará a opção dominante.

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Autor: Pedro Pita Barros

Professor de Economia da Universidade Nova de Lisboa

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