Momentos económicos… e não só

Comandante Ronaldo

2 comentários

Não fico doente com futebol, gosto de ver e de vez em quando há jogos que marcam uma década ou uma geração. Durante muitos anos, a memória que havia de um jogo no Mundial de 1966 contra a Coreia do Norte preenchia o imaginário do “impossível alcançado”. Eusébio era a figura emblemática desse jogo da geração dos meus pais.

Mais tarde, assisti via televisão ao primeiro “jogo de uma geração”, também ele um jogo de apuramento para um Mundial de Futebol, o Alemanha – Portugal, jogado em Estugarda, em que Carlos Manuel faz uma arrancada para um golo fabuloso e Bento defende tudo o que há para defender. Desde então perdemos quase sempre com a Alemanha, ganhamos um jogo num Europeu com três golos de Sérgio Conceição, mas não ficou marcante como essa vitória.

Saltamos mais uma geração e encontramos o jogo Inglaterra – Portugal no Euro 2000, ao fim de 20 minutos Portugal está a perder 2-0. É a partir daqui que Figo, emblema dessa geração, leva a equipa a uma reviravolta para 3-2, arrancando com um golo também ele fabuloso, a iniciar a recuperação. Mas esta geração deixa também um outro momento para este imaginário colectivo, quando Ricardo, num outro Portugal – Inglaterra, em 2004,  descalça as luvas para defender o remate e depois decide marcar o pénalti  que deu a passagem à ronda seguinte. Este jogo com a Inglaterra não foi um “jogo de uma geração”, mas um momento em que o arrojo e a confiança em fazer diferente deram resultado.

Passa mais uma geração de jogadores, e assistimos a bons jogos, a lágrimas de Cristiano Ronaldo em diversos jogos decisivos que a selecção nacional perdeu, a um jogador que vai crescendo na sua forma de encarar estes jogos. O jogo de ontem Portugal – Suécia entra para esta lista de “jogo de uma geração”. Não tanto pelo que se ganhou, que foi mais um apuramento, mas pela forma como da adversidade se fez a vitória. Depois do tom depreciativo com que J Sepp Blatter se referiu a Cristiano Ronaldo, o termo “Comandante” ou “El Comandante” acabou por ser apropriado. E neste jogo Suécia – Portugal, Comandante Ronaldo carregou em cada arrancada para golo o peso das aspirações de um país em ter a alegria de ir ao Mundial do Brasil, mundial com um sentimento próprio, como bem descreveu Ferreira Fernandes. Irão certamente existir mais casos de “jogo de uma geração”, talvez até mesmo nesta geração (esperemos que sim), mas este jogo lá ficará também. Por instantes, para-se e a vida segue dentro de momentos, e assim:

Obrigado Comandante Ronaldo.

comandante ronaldo

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Autor: Pedro Pita Barros

Professor de Economia da Universidade Nova de Lisboa

2 thoughts on “Comandante Ronaldo

  1. Essa copa está costando caro ao Brasil. Não vi nenhum economista brasileiro fazendo as contas. Uma pena!

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