Momentos económicos… e não só

Guião da reforma do Estado (20)

3 comentários

Sobre ensino universitário, o que se encontra escrito no guião da reforma do estado é muito menos claro e mostra menor estruturação do pensamento estratégico. Há uma clara diferença face ao que está detalhado sobre ensino secundário.

Por exemplo, não é claro o que significa a rede de ensino superior adaptar-se às necessidades e à alteração da procura. Será aceitável o encerramento de instituições de ensino superior? Devem as instituições com maior procura aumentar o número de alunos admitidos mesmo que isso signifique esvaziar outras? É admissível o mesmo tipo de solução de autonomia das escolas, com contratos com os professores para gerirem (uma espécie de management buy-out no ensino superior)?

O que é dito sobre investigação e desenvolvimento tem pouco conteúdo. Qual a razão da presença do estado nestas actividades? Se se quer aumentar a ligação às empresas porque não se deixa totalmente às empresas essas actividades?

A resposta está normalmente nas vantagens de disseminar o conhecimento básico, mas isso significa que haverá características diferentes associadas com tipos de investigação distintos.

Sem investigação básica não existe investigação aplicada, e se não chega à investigação aplicada não há ligação às empresas. Mas em que pontos do processo deve o Estado intervir? Se em todos, com os mesmos instrumentos em cada ponto do processo?

Tal como no caso do ensino superior, não há aqui uma apresentação clara do que deve ser a função do estado, o que a justifica e qual o melhor meio de atingir os fins desejados.

E o que significa investigação competitiva? Conseguir avanços da ciência? Conseguir financiamentos europeus ou internacionais para projectos de investigação?

Portugal como país onde se faz ciência e daí retirar vantagens para as empresas nacionais? Mas qual a vantagem de Portugal face a outros países para conseguir isto? É que qualquer país pode afirmar que quer ter investigação competitiva.

Neste campo tenho mais perguntas que respostas, e ainda assim consigo identificar pelo menos um ponto adicional a ser pensado – A ligação da investigação feita em Portugal ao mundo empresarial deve ser realizada com empresas de todo o mundo e não apenas com empresas sedeadas em Portugal. Essas já terão a vantagem da proximidade, mas se não a aproveitarem não devem ser parceiros privilegiados. É a diferença entre olhar para a estrutura científica nacional como serviço exclusivo para as empresas e na dependência destas ou olhar para a estrutura científica nacional como uma actividade com valor económico por si só, independentemente que quem queira vir aproveitar esse potencial económico. Se queremos emprego científico pela sua valia, então o mercado em que se tem de actuar é global, quer no recrutamento de cientistas (o que vai sendo regra cada vez mais comum nas instituições portuguesas) quer no aproveitamento económico que daí se faz, seja na formação avançada seja no levar os resultados das descobertas científicas ao mundo empresarial.

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Autor: Pedro Pita Barros

Professor de Economia da Universidade Nova de Lisboa

3 thoughts on “Guião da reforma do Estado (20)

  1. Agradecia ao Pedro que refizesse o primeiro período do texto porque está ilegível

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  2. Agradecia ao Pedro que refizesse o 1o. período do texto que se encontra ilegível

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  3. Obrigado pela chamada de atenção. Não percebi como ficou daquela forma, sorry.-

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