Momentos económicos… e não só

Sanfil e reportagem da SIC

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Na semana passada tive a oportunidade de comentar uma reportagem da SIC sobre uma empresa na área da saúde de Coimbra, a Sanfil, que surgiu nos holofotes mediáticos por esta via. O comentário na SIC está aqui.

Alguns comentários complementares:

a) não há mal em si em empresas privadas crescerem na área da saúde; neste caso, houve primeiro crescimento orgânico (expansão das actividades) e depois por aquisição;

b) os processos produtivos de cuidados de saúde devem ser escrutinados, sejam no sector privado ou no sector público – embora haja que fazer distinção entre má prática e fraude

c) problemas com trabalhadores em processos de aquisição não são uma novidade, em qualquer área económica, nomeadamente nas empresas adquiridas e cujos dirigentes são frequentemente substituídos; é preciso distinguir nestes processos o que são relações laborais difíceis de má gestão e de prática clínica desadequada;

d) a facturação excessiva na prestação de cuidados de saúde é uma prática demasiado fácil, cá e em qualquer outro país; no caso desta notícia, importa conhecer se foi uma prática pontual ou generalizada. Quando há facturação explícita, é necessário acompanhar com verificação e auditorias  regulares (qualquer que seja a natureza dos prestadores);

e) importa saber se os problemas relatados se traduziram em problemas nos cuidados prestados aos cidadãos, sendo um primeiro ponto de informação conhecer se houve queixas dos cidadãos tratados na Entidade Reguladora da Saúde;

f) a informação de que existe um parecer sobre “reserva de monopólio” sobre relações com o sector público (SNS) revela um aspecto relevante – este problema é relatado no contexto de uma luta empresarial entre entidades privadas; de qualquer modo, essa “reserva” em si mesmo não tem qualquer razoabilidade do ponto de vista económico (e legal, se atendermos à legislação de defesa da concorrência), pois a promoção de alternativas de escolha é também contrária a esta ideia de “reserva” (empresas privadas fazerem investimentos não garante a obrigatoriedade do sector público garantir a procura).

No final, resulta que as menções a prática de prestação de cuidados ou serviços desadaptada devem ser analisadas e que provavelmente se está a assistir a uma concorrência entre entidades privadas que se tornou feroz e utilizando “instrumentos” não-económicos.

Veremos depois em que dará isto tudo.

 

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Autor: Pedro Pita Barros

Professor de Economia da Universidade Nova de Lisboa

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