Momentos económicos… e não só

aspectos pós-troika

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como entendidos por mim a partir da leitura dos resultados da 10ª avaliação feita pela troika:

– importância do enquadramento da decisão política e credibilidade da acção do Governo – que o hoje se diz, amanhã se concretize; que as palavras resultem acções consonantes e não opostas ao que se disse; não é dito desta forma, mas claramente há uma preocupação com a capacidade da classe política portuguesa (na verdade, é provavelmente comum a muitos dos outros países da Europa e fora dela, mas não deixa de ser uma preocupação).

– a estabilidade financeira do sector bancário deixou de ser uma preocupação fundamental.

– como assegurar que são feitas as decisões de investimento certas, as que asseguram maior retorno social, e não as que dão mais segurança de retorno aos financiadores bancários – encontrar outras formas efectivas e disseminar de financiamento da actividade económica.

– apoiar a manutenção e reforço do capital humano dos jovens desempregados e não apenas encontrar-lhes emprego; o desligar do mercado de trabalho por parte de uma fracção substancial da população jovem constitui um peso sobre a economia no médio prazo;

– olhar melhor para o funcionamento dos mercados de bens e serviços que são factores produtivos para outros sectores da economia, nomeadamente os regulados; ter peer-review da actividade reguladora (avaliação da prática de regulação nacional por reguladores de outros países),  recrutamento de pessoas para estas entidades no mercado internacional e audição parlamentar com base num documento técnico de estratégia entregue pelos candidatos às posições de topo das instituições (conhecer o seu pensamento estratégico sobre a área que regulam permite dar segurança às empresas quanto ao que podem esperar e à sociedade quanto à capacidade do regulador para defender o interesse geral);

– fazer a reforma dos processos de funcionamento do estado – ainda se está longe; não basta despedir umas quantas pessoas ou usar quadros de disponíveis, os próprios circuitos de responsabilidade e de funcionamento do estado têm que mudar e aprender a muda de forma mais permanentes para responder às expectativas da população e garantir o bom enquadramento das actividades económicas;

– teste de cada medida favorecer ou não o sector transacionável – a versão oficial é de apoio aos sectores que produzem bens e serviços exportáveis; frequentemente as decisões são de apoio aos sectores que produzem bens não transaccionáveis internacionalmente. Se houver uma check list para cada medida aprovada para verificar se apoia ou favorece sectores transaccionáveis ou não transaccionáveis seria interessante ir vendo os resultados.

– usar os fundos europeus para também treinar as PMEs na utilização de outros sistemas de financiamento além do sistema bancário; não ser apenas uma forma de distribuir dinheiro (e que normalmente o faz com distorções nas decisões dos agentes económicos), aproveitar para “treinar” os agentes económicos nomeadamente as empresas de pequena e média dimensão na utilização de outros mecanismos de financiamento (e não apenas “treinar” em contratar consultores que conhecem ou sabem como fazer candidaturas!).

 

 

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Autor: Pedro Pita Barros

Professor de Economia da Universidade Nova de Lisboa

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