Momentos económicos… e não só

quando tudo começa a correr mal, vai acabar mal

9 comentários

As notícias recentes sobre o grupo Espirito Santo e sobre Ricardo Salgado são surpreendentes – em particular as noticias mais recentes sobre compra de ações da EDP, aqui e aqui (investigação i), por parte de Ricardo Salgado, aliado ao que foi revelado sobre o pedido de ajuda ao Governo para que o banco público, a CGD, emprestasse ao grupo ES, e ainda a informação da tomada de dívida do grupo ES pela PT (e que poderá prejudicar a empresa na fusão com a brasileira Oi, e pelo menos “manchou” a reputação da gestão portuguesa em geral da empresa).

O facto de todas estas informações passarem a ser públicas é também uma mudança substancial de hábitos.

No contexto actual, a posição do Governo de os riscos da actividade privada ficarem com as empresas privadas é uma alteração saudável, e de não usar a CGD neste contexto é igualmente um passo no caminho certo.

Veremos como acaba, mas os sinais não são favoráveis para o grupo embora sejam reveladores de uma transição real para economia de mercado, também no sector bancário.

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Autor: Pedro Pita Barros

Professor de Economia da Universidade Nova de Lisboa

9 thoughts on “quando tudo começa a correr mal, vai acabar mal

  1. E’ um facto que a situacao nao e’ de todo favoravel para o grupo ES ( accionistas e nao so’). Mas e’ indiscutivelmente um bom sinal para a economia ( para o pais) e tambem para o Banco ES. Os “negocios” do grupo foram sempre um risco para o banco. Isso mesmo se confirmou com a divulgacao do valor do financiamento do banco a empresas insolventes do grupo.
    Muitas dessas empresas representam o pior do complexo “politico-economico” que tomou conta do pais nas ultimas decadas. Algumas ( que para nao apanhar com um processo me escuso de nomear) eram/sao geridas por cowboys proprios do farwest. Algumas vezes fui confrontado em reunioes internacionais da razao que levava um grupo financeiro como era o ESFG a estar associado a cowboys. O tempo fez prova da certeza da resposta: e’ porque sao todos uns cowboys embora alguns disfarcem melhor que outros.
    In other words: it was bound to happen sooner or later.

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  2. A historia dos grupos empresarias portugueses pos condicionamento industrial é mais ou menos isto : Euforia baseada e alavancada por uma boa banca nacional de proximidade (aqui e ali com ligações internacionais crediveis e sustentadas) e o ” elogio da loucura ” numa serie de crescimento por diversificações, em que o talento da gestão era apenas : ser obediente e power point visionario.
    Mas o que esta a acontecer e as decisões de ” não apoio a qualquer preço ” dão um mix de satisfação triste com pitada de “oxalá isto acabe rápido e sem rabos de coveiro sinistro”.

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    • Francisco,
      Concordo com o seu comentario.
      Mas soa a ” ‘e bom de mais para ser verdade” ou ” ha aqui gato”.
      Temos que ser positivos e acreditar que vamos mudar. Sobretudo porque com essa crenca contribuimos para a formacao de uma opiniao publica critica e mais activa se as coisas derem sinais de regresso ao passado. Precisamos criar uma dinamica que nao conviva com aquelas situacoes, as condene e exija consequencias.
      Mas reitero: subscrevo a sua analise . O risco e’ muito concreto.

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  3. Quanto estive em Portugal e pude acompanhar as noticias locais atraves dos jornais portugueses , a impressao que tive foi a seguinte: a bandalha na politica portuguesa é um pouco mais civilizada do que a que ocorre no Brasil. A mentalidade ibérica certamente muito traduz o que temos na politica e na sociedade. Há algo de errado com os economistas que não conseguem decifrar o jogo politico que certamente mantem privilegios seculares. Não conheço, e ai espero alguma dica, nenhum trabalho cientifico que tenha avaliado o mal que a ditadura portuguesa tenha trazido à Portugal e o que dela ainda resiste ao tempo. Talvez possamos encontrar alguma pista. No Brasil, a transicao democratica foi feita pelos ditadores. Foi concedida e nao conquistada. Quando veio a Constituinte, um grupo a dominou – o chamado centrão. Esse grupo manteve todos os desvios economicos introduzidos pela ditadura. Em resumo, a missão da ditadura brasileira de 1964 era essencialmente de derrubar o aparato constitucional que mantinha um certo equilibrio economico e politico. Com os Atos Institucionais, escancararam a porta para a bagunça economica e todo tipo de intervencao amalucada se instalou em nossas leis. O Centrao tratou de manter o essencial.

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  4. Jorge
    No programa Quadratura do Circulo de ontem, algumas boas verdades foram afloradas sobre o Portugal do “esquemas pro-sério”. Mas quando isto passa do translúcido ao transparente o rei desnuda-se salutarmente.E o País ri-se com lagrimas.
    Enfim…

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  5. Como escrevi esta manha “Precisamos criar uma dinamica que nao conviva com aquelas situacoes, as condene e exija consequencias”. Com a muito provavel nomeacao de Vitor Bento, parece que tudo se conjuga para entrarmos num novo ciclo da nossa vida politica e economica. Porque tem implicacoes politicas tambem. Pela força que tem o paradigma : Não deixamos de ser um país com um modelo economico essencialmente “extractivo”, mas é mais um sinal forte de que estamos a caminho de lhe por termo. Vamos acreditar e estar atentos.

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  6. Pois exacto. Gosta-se muito da economia liberal até se precisar de maminha do estado.. lol

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  7. Isto é uma pequena amostra da promiscuidade que existe entre os senhores do poder (financeiro e político), que fazem de nós, tolos!

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