Momentos económicos… e não só

BES, ainda…

3 comentários

O folhetim do BES vai-se desenrolando, agora com contornos internacionais. Segundo percebi, o ponto de situação é o seguinte:

a) o BES enquanto banco é sólido – segundo afirmações de todos, o que leva à velha questão, se é preciso dizê-lo repetidamente é porque não é evidente, mas se não é evidente o que se passa realmente, e num mundo de rumores não há muito que se possa contrariar em termos de palavras, apenas via acções.

b) o grupo ES, por seu lado, segundo o que vem sendo escrito, tem partes onde tem dificuldades financeiras.

c) a PT entrou nesta confusão, de uma forma que não foi totalmente esclarecida – isto é, se o grupo ES não estivesse ligado à PT, a decisão de investimento teria sido a mesma? (a demissão que não o foi verdadeiramente do responsável financeiro diz algo sobre o aval tácito que terá existido?)

d) a nomeação de uma nova equipa de gestão que satisfaça os critérios de transparência de relações foi feita rapidamente, e mais rapidamente parece que se quer que entre em acção. As pessoas indicadas, à partida oferecem a independência pretendida.

e) os depositantes no BES têm sempre os 100,000 euros garantidos, e por isso, para quem estiver nestes limites, nada há a temer, em termos do que possa suceder.

f) houve partidos políticos que falaram na intervenção pública no/nacionalização do banco (os mesmos que acusariam o Estado de estar a salvar a banca se tivesse feito essa intervenção…)

g) o poder político rejeitou intervenção directa ou indirecta (via dar protecção a empréstimos de emergência)

Dois comentários rápidos:

1) a perspectiva de falência do banco não deve ser afastada, nem deveria ser um drama numa economia de mercado – falência que pode resultar simplesmente em o banco ser adquirido por outro, nacional ou estrangeiro, sem interrupção de prestação de serviços de depósitos e de crédito; de alguma forma é surpreendente que não se fale nessa possibilidade.

2) a substituição rápida da equipa de gestão é desejável, mas seguindo os mecanismos no seu tempo de execução – tudo o que seja entrada antecipada, com sobreposição de gestão nova e gestão antiga, é sempre susceptível de criar mais tarde confusão e suspeições. Esperemos que a nova equipa de gestão não se deixe enredar em teias que depois a impeçam de ter total liberdade de gestão face ao passado.

 

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Autor: Pedro Pita Barros

Professor de Economia da Universidade Nova de Lisboa

3 thoughts on “BES, ainda…

  1. A preocupação dominante parece ser repetir a exaustão que o banco e’ solido e não ha por isso risco para os depositantes. Talvez seja de repensar a táctica começando por assumir que” não se pode enganar toda a gente todo o tempo”. Primeiro porque a solidez de um banco se mede pela qualidade dos activos (empréstimos ) e pelo valor “hoje” dos colaterais que os suportam e da sua liquidez. Mas mais do que solidez = solvency, o que interessa e’ a liquidez .
    Alguém imagina que todos os actores que vem assegurar que os depositantes podem estar descansados não sabem o que qualquer aluno de money & banking aprende na primeira aula ” solvency gives a headhache but liquidity kills you quick”. E os depositantes acima dos 100K ? Qual o impacto na economia quando aqueles particulares e empresas virem os seus depósitos e aplicações reduzidos a cinzas? E o resto do sistema como vai reagir e aguentar uma corrida?
    A propósito de corrida : – nao na será mais eficaz pegar o touro pelos cornos JA’. If it can go wrong it will go wrong.
    Oiçam o zumbido dos chats nos trade rooms.

    Gostar

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