Momentos económicos… e não só

os ventos que sopram do World Economic Forum

5 comentários

o salto positivo que Portugal deu no ranking de competitividade do World Economic Forum tem recebido bastante atenção; é uma evolução boa, significa que a percepção sobre a economia portuguesa melhorou. E quando escrevo percepção é porque o ranking é construído em grande medida com base num inquérito a líderes empresariais – e as categorias do ranking que mais contribuíram para este subida, eficiência no mercado de trabalho e eficiência nos mercados de produtos, não têm uma medida objectiva universal e comparável entre países. Resulta então de percepções face às mudanças legais que foram sendo operadas nos últimos anos. 

Mas o ranking tem ainda duas outras características que estando também presentes no passado não têm sido valorizadas – o ranking nas áreas de inovação e tecnologia é melhor que o global, tal como as infra-estruturas, enquanto  a dimensão do mercado e a capacidade empresarial estão abaixo.

Ou seja, os desafios que este ranking ilustra são os de sempre, mesmo depois desta subida – conseguir alargar mercado, ou seja exportar, e melhorar a qualidade de gestão em Portugal. 

E agora claro cumprir as expectativas presentes na percepção sobre a maior eficiência nos mercados de trabalho e ter mais concorrência nos mercados de bens intermédios e produtos finais – tal como ficamos bem este ano, se a realidade não acompanhar as medidas tomadas, também rapidamente se inverte. 

(ps. no campos das infra-estruturas também se tem uma boa classificação, não é preciso mais investimento em obras públicas, pelo menos antes de melhorar a capacidade empresarial em Portugal)

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Autor: Pedro Pita Barros

Professor de Economia da Universidade Nova de Lisboa

5 thoughts on “os ventos que sopram do World Economic Forum

  1. Duas constatações obvias(???):
    1. Temos condições de competitividade para incrementar o nosso PIB potencial.
    Falta capacidade de gestão.
    2. Basta de infraestruturas ( salvo as ferrovias de que PB não fala mas estão na avaliação.
    Logo:
    Porque não investimentos os recursos disponiveis quasi exclusivamente naquilo que nos falta : gestão. Se para acelerar o processo convém importar talento…. Decrete-se e pague-se o valor de mercado sempre em contrapartida dos resultados. E’ tao simples : fixo x (baixo)+ bottom line y ( de acordo com a dimensão do desafio ).
    Bons sonhos.

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  2. Pedro
    Os rankings são o que são. Valem quando se sobe.
    Sou mais adepto de ratings desde que feitos com rigor.
    Temo que este salto face ao passado ano sendo positivo, seja mais uma vez chutado para canto: saiu a Troika e há eleições no horizonte e sobre o novo Quadro de Apoio ainda não vi mais do que muita conversa.
    Pois se nem um tal “Banco de Fomento Germanofilizado” já existe…a funcionar.
    Critico é saber, também a partir desta interessante classificação no ranking, se a nossa produtividade efectiva e sustentada será mesmo assim e se as conclusões com base num inquérito a líderes empresariais não estarão muito mais no dominio das percepções do que dos resultados.
    Quanto às vias de comunicação estamos conversados.Mas, sobretudo no interior do País isso quase nada significa tal a desindustrialização e desertificação demográfica a que se assiste. Até agora a gestão integrada de infraestrutura rodo,ferro e marítimas avança sem grandes resultados.E muitos autarcas vão querer mais pequenas coisas para satisfazer velocidades locais de habitantes e alguns visitantes turistas.
    E quanto ao poder local e em temas de focalização por exemplo na saúde e educação, faltam competências para se dar um salto e baixar custos. E incentivar o empreendorismo e a visão de mercados alargados para além dos horizontes físicos.
    Uma nova geração tem de perceber que o tempo das “evoluções por via partidária” ou por via de “empregos terminou e que o hands on é um back to basics entre agricultura, indústria nova e alguns serviços baseados no conhecimento.Incluindo turismo.
    Veremos o que isto dá. Para já até com taxas de juro a tocar o zero.E as empresas exportadoras a terem mais oxigénio.
    É tempo de aprofundar a Reforma do Estado e, sobretudo a da Administração Pública integrada : central e local.Para libertar energias para o tecido produtivo.
    Diverte-te e façamos votos para que esta classificação não tenha pés de “barros” -:)

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  3. Tenho a impressão que precisamos de envestimentos em portos e cminhos de ferro,mas bem coordenados,isto é com cabeça tronco e menbros

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  4. Caro Prof. Pita Barros,

    Como o Augusto Gil e apesar de o Governo estar a bater com estrondo e não leve, levemente, fui ver e…

    4. Government efficiency, 1-7 (best) 3.2 (Posição 94 em 144 no ranking)

    dos quais

    Wastefulness of government spending, 1-7 (best) 2.8 (88/144)
    Burden of government regulation, 1-7 (best) 3.0 (108/144)
    Efficiency of legal framework in settling disputes, 1-7 (best) 3.1 (111/144)
    Efficiency of legal framework in challenging regulations, 1-7 (best) 3.3 (77/144)
    Transparency of government policymaking, 1-7 (best) 3.9 (81/144)

    (…)

    8th pillar: Financial market development, 1-7 (best) 3.6 (104/144)

    Alguém me explica porquê o foguetório por parte do Governo?

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    • Carlos, creio que o “foguetório” vem de a) serem boas notícias em vez de más; b) de as boas noticias resultarem sobretudo de mudanças que o governo percepciona ter introduzido, sem prejuízo de essa parte de funcionamento interno da instituições públicas não estar pelas melhores classificações, como ilustram os números colocados.

      mas melhor seria que alguém do governo respondesse ;-), eu estou só a adivinhar

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