Momentos económicos… e não só

mercado vs secretaria – na OPA da Espirito Santo Saúde

1 Comentário

a novidade do dia de ontem foi a saída da corrida pela Espirito Santo Saúde (ESS) do grupo José de Mello Saúde por falta de resposta da Autoridade da Concorrência.

Esta saída, no contexto de vários concorrentes, não será provavelmente problemática desta vez. Mas não deixa de ser uma redução na concorrência pela venda, e para a ESS é ao mesmo tempo uma boa e uma má notícia. Como ficou patente do comunicado da ESS, esta proposta não era especialmente bem vista se bem sucedida; por outro lado, se mal sucedida teria a vantagem de fazer subir o preço no “leilão” em curso.

O argumento da falta de opinião da Autoridade da Concorrência serviu aqui para reduzir a concorrência, e noutras situações onde possam existir apenas dois concorrentes poderá afectar de forma mais significativa o resultado final. No entanto, não há aqui uma demora excessiva da Autoridade da Concorrência, e há uma espécie de “pescadinha de rabo na boca”, só faz sentido uma análise completa da Autoridade da Concorrência se a operação for para a frente, mas só vai para a frente se houver uma sinalização da Autoridade da Concorrência.

Curiosamente, falando-se numa oferta privada do grupo Amil  que possuem o grupo de saúde Lusíadas, que inclui o hospital com o mesmo nome e o hospital de Cascais em PPP, (o que me surpreendeu, confesso, pois nada indicava que a estratégia do grupo depois de adquirido pelos americanos passasse por crescer em Portugal), os problemas potenciais em termos de concorrência também se colocam, pelo que de algum modo o que essa oferta privada está a dizer é que não têm qualquer preocupação com as decisões da Autoridade da Concorrência (mesmo que esta decida só aprovar essa eventual aquisição com venda de activos nos mercados mais preocupantes).

Pelo menos, está a ser um processo concorrencial animado!

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Autor: Pedro Pita Barros

Professor de Economia da Universidade Nova de Lisboa

One thought on “mercado vs secretaria – na OPA da Espirito Santo Saúde

  1. Parece que o verdadeiro motivo do recuo da JMS terá tido a ver com problemas de financiamento e não tanto com a incerteza da posição que a autoridade da concorrência viesse a tomar, como é referido neste artigo do OJE http://www.oje.pt/pt/sindicato-bancario-forca-jose-de-mello-a-abandonar-a-opa-a-es-saude

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