Momentos económicos… e não só

Relatório Gulbenkian “The future of Health – everyone has a role to play”

1 Comentário

apresentado na semana passada, em sessão pública. Disponível aqui. (video aqui)

(mais informações aqui)

E aproveito para colocar um rápido relato da intervenção de Lord Nigel Crisp, que liderou a equipa que preparou e elaborou o relatório, envolvendo muitas pessoas de diferentes formas.

Pontos centrais focados:

* não basta definir o que se pretende para o futuro, é necessário pensar como se lá chega;

* para uma visão a 25 anos não basta dizer o que significa na prática, mas como pode ser alcançada e sustentada;

* ponto de partida de Portugal: profissionais altamente qualificados, um registo de sucesso de forma geral, um bom Serviço Nacional de Saúde (SNS) com um forte sentimento de compromisso e pertença;

* ponto de partida: envelhecimento da população, condições crónicas, elevada mobilidade, pressões financeiras.

O elemento central para uma visão a 25 anos é que a batalha principal não será na longevidade, onde se está a acompanhar as tendências europeias, e sim na morbilidade. Os anos acima de 65 anos passados em boa saúde são muito menores em Portugal do que noutros países da Europa Ocidental com uma longevidade, esperança de vida, não muito diferente.

Para construir um caminho que mantenha a trajectória da longevidade mas melhorando bastante a qualidade de saúde da população, é necessário liderança ousada, uma visão partilhada, com uma “aliança para a saúde” que cruze a sociedade como um todo, baseada na evidência disponível, com capacidade de estar continuamente a aprender e a melhorar, e preparar adequadamente mecanismos de transição, incluindo os financeiros.

É dada grande relevo aos cidadãos – a saúde começa em casa (e incluirá maior literacia em saúde, registos de saúde, acesso a informação, representação junto do sistema de saúde). Mas também tem que haver uma acção global das autarquias, da sociedade civil, do apoio aos cuidados informais (que podem valer tanto como o SNS, se Portugal for similar ao Reino Unido).

É necessário haver uma procura permanente de melhoria da qualidade em cuidados de saúde – tratamentos atempados de elevada qualidade e serviços prestados baseados na evidência são bons para a saúde das pessoas e reduzem desperdícios e custos.

É necessário mais colaborações entre o SNS e a “indústria” (definida de forma ampla), já existem algumas colaborações mas não são generalizadas nem são mantidas de forma permanente e consistente.

É necessário antecipar os novos modelos de prestação de serviços de saúde, para prestar cuidados integrados e fazer a gestão da doença crónica.

Os profissionais de saúde terão que ser também agentes de mudança, e a sua educação profissional deverá prepará-los para um futuro com diferentes papéis e trabalho em equipa. Preparar para mudanças que não conseguimos antecipar totalmente nos dias de hoje.

Sobre a sustentabilidade financeira, não há espaço para mais pagamentos directos, não há espaço para mais impostos, é necessário ir pela melhor utilização do que está disponível, as melhorias a nível de financiamento virão da redução da carga de morbilidade, bem como de sistemas de pagamento que ajudem à escolha das melhores opções e uma gestão financeira mais sofisticada.

Como parte da contribuição deste Relatório, a Fundação Calouste Gulbenkian lança três desafios, para mostrar que todos têm um papel a desempenhar: redução das infecções hospitalares (demonstrando que a melhoria da qualidade permite reduzir custos), abrandar o crescimento da diabetes (demonstrando como a sociedade civil e os doentes podem contribuir decisivamente para melhorar a sua saúde), e tornar Portugal um líder na saúde e desenvolvimento infantil, incluindo os aspectos da obesidade infantil (demonstrando como diferentes sectores das políticas públicas devem intervir para uma melhor saúde da população).

Estes desafios são os primeiros passos práticos numa longa caminhada de transição, sendo desejável que surjam outros, promovidos por outros campeões e com igual ou maior ambição de fazer bem.

(Nota de declaração de interesses: fui um dos participantes na discussão e preparação do relatório)

b a

Autor: Pedro Pita Barros

Professor de Economia da Universidade Nova de Lisboa

One thought on “Relatório Gulbenkian “The future of Health – everyone has a role to play”

  1. Um sistema de pagamento que promova as melhores escolhas deve ser decisivo par que se obtenha mais consciencia e colaboração dos cidadãos naquilo que pode prevenir futuras necessidades de tratamentos cronicos e caros.
    A demagogia dos politicos a até dos sindicatos dos profissionais é por vezes bem desastrosa.

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