Momentos económicos… e não só

a corrida aos activos da PT Portugal continua…

5 comentários

Existem lançados na corrida aos activos da PT Portugal três candidatos, neste momento:

a) o grupo Altice – que tem a Cabovisão em Portugal (7 025 milhões de euros, dos quais 800 milhões só serão pago caso sejam atingidos objectivos de receitas e dinheiro gerado)

b) Isabel dos Santos, que começa por querer adquirir a PT SGPS (que é accionista da Oi, que é dona dos activos da PT Portugal), o que lhe permite influenciar, se bem sucedida, o que é feito aos activos da PT Portugal.

c) Apax + Bain, que segundo corre na imprensa, faz uma oferta de 7 075 milhões de euros, e imitam a Altice nos pagamentos diferidos.

Até agora, o Governo tem mantido fora de qualquer intervenção nesta reconfiguração do mercado das telecomunicações em Portugal. E bem. Mas dependendo do que vier a surgir, as entidades reguladoras, ANACOM e Autoridade da Concorrência, terão uma palavra a dizer.

Sendo assumido que a PT Portugal já não é uma empresa portuguesa, o interesse deverá agora estar em preservar a concorrência no mercado nacional de telecomunicações, pelo que a pergunta a ser respondida pelas entidades reguladoras é que configuração melhor garante opções e concorrência para os consumidores nacionais, residenciais e empresas.

A situação menos complicada é a da Apax e Bain, que não sendo operadores de telecomunicações nem tendo participação em qualquer outros dos operadores em Portugal, não levantaria qualquer problema de menor concorrência no mercado. A gestão será  neste caso provavelmente assegurada pelas equipas actuais da PT (a menos de falta de confiança nas mesmas, dependendo até do envolvimento que possam ter tido no aconselhamento da cúpula de decisão, leia-se Granadeiro e Zeinal Bava, na sequência de decisões que levou à irrelevância da gestão portuguesa na Oi). A vingar a venda a Apax e Bain continuará durante mais alguns meses a janela de oportunidade para a NOS e a Vodafone, os principais concorrentes da PT nos vários segmentos de telecomunicações em que opera, avançarem com campanhas agressivas de captação de clientes da PT. Dependendo do horizonte de investimento assumido pelos fundos de investimento, o papel da inovação na PT e das empresas que à volta dela gravitam será maior ou menor. O risco de ser apenas uma operação financeira, onde se extrai o máximo em termos de cash flow para depois deixar a empresa “seca” é a principal preocupação.

A situação mais complicada  será a associada com uma eventual compra de Isabel dos Santos, que ainda não tem oferta sobre os activos (hipótese de trabalho: há um interesse genuíno em adquirir os activos da PT Portugal). Aqui, pela presença na NOS, a Autoridade da Concorrência e a ANACOM terão certamente objecções a que haja um accionista comum de relevo nas duas empresas. Provavelmente, Isabel dos Santos terá que optar por uma das empresas, e estando a adquirir a PT natural seria optar por esta empresa. Neste caso, muito provavelmente as equipas de gestão da PT seriam mudadas. A prazo a ligação aos mercados de África serão mais facilmente uma opção estratégica para a PT. A inovação da PT, orientada para Portugal e para as necessidades desses outros mercados, será mais facilmente valorizada neste caso. Ou até mesmo retomar a “aventura brasileira”, desta vez sob comando angolano. Em termos de concorrência imediata no mercado, obrigando a reconfiguração accionista também na NOS, seria a Vodafone a beneficiar de os seus principais rivais nas telecomunicações estarem “ocupados” com a configuração accionista das empresas. Esta reconfiguração cria também o problema de quem toma a posição de Isabel dos Santos na NOS (admitindo a mais que provável decisão das entidades reguladoras de não quererem accionistas relevantes comuns).

No meio fica a oferta da Altice, que necessariamente terá, caso seja a vencedora, implicações para a Cabovisão (muito provavelmente venda de activos, ou da própria empresa), e onde a principal dúvida reside em saber se a PT Portugal é encarada como um activo estratégico de desenvolvimento, incluindo as actividades de inovação, ou se é apenas visto como uma forma de vir buscar cash flow para operações mais interessantes noutro lado. A falta de interesse nas operações internacionais da PT sugerem que a estratégia não passará por África, não ficando então claro qual o desenvolvimento antecipado para a PT em termos internacionais. Novamente aqui a PT Portugal passará por alguma turbulência de gestão, com a provável substituição da gestão de topo, abrindo espaço para que os concorrentes comerciais “ataquem” os clientes mais importantes da PT.

Por fim, sugestão de um reputado especialista internacional em regulação de telecomunicações – esta é uma oportunidade para separar a TDT, qualquer que seja a proposta vencedora.

Em qualquer caso, não parece haver uma solução claramente superior às outras. Veremos o que será o resultado final. Se quiser expressar a sua opinião, pode fazer aqui:

(nota final: há dias, Armando Almeida, que está à frente da PT Portugal, dizia que ainda não lhe tinham dito que os activos da PT Portugal estavam à venda. Calculo que por esta altura já lhe tinham dito algo!)

 

Unknown

Autor: Pedro Pita Barros

Professor de Economia da Universidade Nova de Lisboa

5 thoughts on “a corrida aos activos da PT Portugal continua…

  1. Caro Pedro Pita Barros,

    Permita-me a irreverência de, no seu inquérito, faltar a melhor opção de todas: A PT deve ser rifada numa qualquer quermesse natalícia.

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  2. Ainda bem que optou por esta opção de consulta. Parabens.

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  3. Outra opção lançada: “E a SONAE?”

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  4. Pingback: ainda a PT, | Momentos económicos... e não só

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