Momentos económicos… e não só

PT, Oi e credibilidade intertemporal

2 comentários

Segundo as últimas notícias, a Oi terá tomado a decisão de vender a PT Portugal à Altice. Além da curiosidade de saber se já falaram com Armando Almeida (que dizia há tempos não lhe terem dito – então – que a PT Portugal ia ser vendida), a cronologia de toda a operação da PT com a Oi, com a suposta fusão que afinal já não vai ser, mostra como os anúncios empresariais devem também ser lidos à luz da lógica de credibilidade intertemporal (que não se aplica apenas às políticas públicas) – se uma empresa, ou conjunto de empresas, ou empresários, anunciar uma decisão futura que vai contra os seus melhores interesses nessa data de tomada de decisão, então não lhe devemos dar crédito. Esta preocupação assume no caso da PT especial acuidade, pois os vários intervenientes quererão anunciar que têm planos “fantásticos” para o desenvolvimento da empresa, para fazer passar a aceitação da operação (será tanto verdade para a Altice como para qualquer outra empresa, fundos de investimento e parceiros e incluindo Isabel dos Santos se vier a anunciar objectivos para a PT).

A descrição de Nicolau Santos no Expresso é reveladora de como esses interesses de cada uma das partes se sobrepuseram sempre aos anúncios realizados sobre intenções de desenvolvimento. Mais do que intenções, é necessário saber que compromissos sérios cada concorrente a ficar com a PT Portugal está disposto a assumir. Até lá, a perspectiva de desmantelamento da PT Portugal não pode ser descartada.

Autor: Pedro Pita Barros

Professor de Economia da Universidade Nova de Lisboa

2 thoughts on “PT, Oi e credibilidade intertemporal

  1. Eu só não consigo entender a fé de alguns na Isabel dis Santos. Desde o momento em que o estado alienou a golden share os interesses da PT passaram a ser os interesses dos seus accionistas. Em que é a empresária Isabel dos Santos diferente dos accionistas da Altice ou da OI? Aliás como se está neste momento a ver: a OI está a defender os seus interesses apesar de em tempos ter sido apontada como a muleta (!?) de que a PT precisava para crescer no mercado brasileiro.

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    • A “fé” na Isabel dos Santos resulta, parece-me, por oposição aos restantes, e na medida em que já tem uma intervenção na NOS. O interesse estará em Isabel dos Santos poder ter um maior interesse estratégico em desenvolver a capacidade de inovação e crescimento da PT do que qualquer um dos outros. No caso dos fundos, estes podem ter apenas uma perspectiva financeira de curto prazo.

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