Momentos económicos… e não só

Gato Fedorento na gestão da PT?

9 comentários

A PT SGPS que é accionista da Oi que é dona dos activos da PT Portugal que estão para ser vendidos à Altice adiou a sua Assembleia Geral. A PT SGPS como accionista da Oi pode impedir que a Oi venda à Altice os activos da PT Portugal. Preciso sempre de escrever detalhadamente estas ligações dada a confusão que facilmente geram. Ora, este detalhe é essencial para se perceber que

a) se a PT SGPS parar a venda dos activos da PT Portugal à Altice, significa que a PT Portugal continua nas mãos da Oi, logo é empresa brasileira, e como não faz parte da estratégia da brasileira Oi (que já assumiu não ter uma estratégia lusófona global e sim local no Brasil), não é claro qual será o rumo dado às operações em Portugal;

b) se a PT SGPS parar a venda dos activos da PT Portugal à Altice, a PT SGPS não fica a gerir os activos da PT Portugal (só para reforçar o ponto anterior);

c) se a PT SGPS parar a venda dos activos da PT Portugal à Altice, a actual gestão da PT Portugal continuará em gestão corrente sem poder verdadeiramente pensar a longo prazo;

c) se a PT SGPS parar a venda dos activos da PT Portugal à Altice, sem haver outra entidade que possa entrar na concorrência para os adquirir, e apenas por “birra nacional” face aos “erros” de gestão da PT com o investimento na Rioforte, está-se a prolongar a falta de rumo estratégico de longo prazo, o que a Nos e a Vodafone, principais concorrentes da PT nas telecomunicações em Portugal, agradecem.

Ou seja, como os “erros” de gestão não são reversíveis, devem ser vistos como um custo afundado da actividade, e ver-se daqui para a frente qual a melhor opção para a PT Portugal como empresa. Não sendo recuperável a situação pré-fusão com a Oi, e não tendo a Oi interesse em Portugal como mercado, a venda é inevitável.

O adiamento obtido agora não trará provavelmente novos compradores da PT Portugal, e não trará uma nova definição estratégica da Oi para o mercado português. Servirá quando muito para melhor se compreender o que foi feito no passado recente, mas sem verdadeiramente alterar a venda à Altice.

Entretanto, Armando Almeida, à frente da PT Portugal, que disse há uns meses não lhe ter sido dito que a empresas estava à venda, tem-se mantido silencioso. Espero que por esta altura tenham falado com ele, quem vende e quem compra a empresa que está a gerir.

Todo este último ano da PT parece ter sido criado pelos Gato Fedorento, que passaram da publicidade para a condução estratégica da empresa, não fora os muitos milhões “enterrados” no BES.

Autor: Pedro Pita Barros

Professor de Economia da Universidade Nova de Lisboa

9 thoughts on “Gato Fedorento na gestão da PT?

  1. Irra Pedro, mais uma vez a ausência de visão lateral e de informacao. Então não sabe de um abaixo assinado que corre ai desencadeado por ilustres figurantes da praça publica , em defesa da manutenção da PT “portuguesa”? E’ certo que não explicam como nem as vantagens ( embora dada a experiencia da PT seja de pensar que quererão manter o modelo de governance, que já se provou ajuda muita gente ) . Mas também não lhes podemos pedir tudo.

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  2. Recebido via email:
    “Comunicado de imprensa da Oi
    No seguimento da assembleia geral de acionistas da PT SGPS hoje realizada, na qual foi deliberada a suspensão dos trabalhos até ao próximo dia 22 de janeiro, a Oi difundiu o seguinte comunicado de imprensa.
    “A Oi apoiou a suspensão da Assembleia de Acionistas da PT SGPS que votaria a venda da PT Portugal nessa data. Esse apoio está fundamentado no pedido de informações adicionais feito pela CMVM. Embora a Oi entenda que foram previamente colocados à disposição dos acionistas elementos informativos necessários e adequados para a deliberação, o apoio à suspensão traduz sua disposição permanente em prestar toda e qualquer informação adicional julgada eventualmente necessária pelo Regulador, proporcionando assim uma avaliação correta e acurada pelos investidores.
    A Oi entende que a venda é o melhor para todos os seus acionistas diretos e indiretos, inclusive PT SGPS, já que após o evento Rio Forte criou-se um cenário negativo para as duas companhias, e a venda da PT Portugal ataca a alavancagem de ambas as empresas, aumentando suas flexibilidades financeiras, capacidade de investimento, e habilita a Oi a participar no esperado processo de consolidação no Brasil, que tem potencial de captura de sinergias materiais, ganhos de escala e melhora ainda mais da flexibilidade da Oi.
    A Oi acrescenta que a suspensão da Assembleia é realizada de sorte a dar maior segurança na deliberação da mesma e caminhar para a viabilização da aprovação da venda da Portugal Telecom, na medida em que esse é o desejo do mercado, conforme as manifestações reiteradas dos acionistas da Oi e a recomendação unânime da ISS e da Glass Lewis (duas das principais instituições internacionais de orientação de voto de investidores no mercado de capitais) aos acionistas da PT SGPS.
    Oi aproveita e reitera seu compromisso já manifestado anteriormente, no âmbito de seu aumento de capital, de ingressar no Novo Mercado de forma a se tornar uma companhia de capital pulverizado com os mais altos padrões de governança corporativa.”

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  3. Ou muito me engano ou a PT (e a Oi) vão ser, nos próximos tempos um “tollan” da economia portuguesa e um rennie de alivio politico do governo brasileiro. Tal o tipo de acionistas tão complexo da empresa OI.
    R tudo isto acompanhado de um novo spot dos”gatos”, desta vez a distribuir boias de salvação made in Portugal em Ipanema, durante o carnaval brasileiro.E com musica da garota de Ipanema em fundo e o fado “nem às paredes confesso”..

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  4. Refere na sua análise que “não sendo recuperável a situação pré-fusão com a Oi, e não tendo a Oi interesse em Portugal como mercado, a venda é inevitável”

    Ora esta sua afirmação, determinante para as conclusões que retira, não parece inquestionável.
    Segundo as notícias que vêm a público, dois juristas portugueses pronunciaram-se pela viabilidade da reversão do negócio, dois brasileiros manifestaram-se em sentido contrário. O presidente da mesa da assembleia geral deu público conhecimento que entende haver razões para a reversibilidade do negócio. E essas razões fundam-se no facto de a Oi ao decidir vender a PT estar a subverter completamente o objectivo do acordo de fusão consubstanciado na CorpCo. E este, sim, é um facto inquestionável.

    Para além da subversão do objectivo da fusão há outros factores a considerar, e que, tudo leva a crer, encobrem práticas que devem ser descobertas e penalizadas pela CMVM, e eventualmente pelos tribunais, se, como deve ser, se pretender garantir aos investidores na bolsa de valores de Lisboa a honorabilidade de processos a que estão obrigadas as empresas cotadas.

    Porque há factos que são inacreditáveis ou inaceitáveis que estão por esclarecer e colocam muitas questões à sua volta:

    1 – Quando foi tornado público que a PT tinha um empréstimo de quase 900 milhões junto da Rioforte, todas as atenções se focaram em Henrique Granadeiro. O sr. Bava disse que ignorava o assunto, os outros administradores, idem aspas. E, obviamente, os brasileiros da Oi que assinaram o contrato, também. Realmente, se até o sr. Bava desconhecia é natural que os brasileiros desconhecessem.
    2 – Acontece que o sr. Bava ou mente ou foi negligente, porque foi presidente da PT e da PTSGPS, e os empréstimos à Rioforte vinham a rolar desde o começo do século. Ora, em qualquer dos casos, mentira ou negligência, o sr. Bava tem de ser responsabilizado nos termos da lei que rege as responsabilidades dos administradores das sociedades. Ele e todos os outros administradores.
    3 – Mas também os brasileiros não podem sustentar-se na ignorância para reclamar vantagens: o negócio foi precedido de análises às contas da PT que revelavam dívidas de um só credor num montante de quase 900 milhões de euros. Quem é que subscreve um negócio deste tamanho sem saber os activos e os passivos envolvidos?
    4 – E a prova de que há muitos factos ainda por detrás das cortinas é dada pela facilidade com que os principais accionistas da PT aceitaram, em Setembro, a redução da participação da PT SGPS na CorpCo de 37 para 27% sem contestar a imposição apresentada pela Oi. Quem é que, sem contrapartidas, aceita uma redução tão drástica dos seus interesses visíveis? Houve tentativa de logro da parte dos portugueses ou conivência entre as duas partes passada por baixo da mesa?

    A CMVM existe para garantir a honorabilidade dos processos das transacções bolsistas. Se essa garantia não existe, se a bolsa é uma corrente de fraudes, os investidores não envolvidos na gestão e que, portanto, não retiram vantagens escondidas, desertam.
    Ora o que se passou, e continua a passar, neste caso da PT merece um julgamento que responsabilize quem deve ser responsabilizado pelos actos ilegais ou danosos praticados e não devem ser branqueados por negócios complementares que colocam em causa os interesses nacionais porque dão da bolsa de valores de Lisboa uma imagem repugnante junto dos investidores.

    Segundo outras notícias vindas a Público a Altice estará disponível a aceitar uma participação de 20% na PT.
    A PT SGPS adquiriria aqueles 20% com a alienação dos 27% que detém na Oi. Chega? Pelas cotações actuais, não chega.
    Mas mesmo que chegue quanto é que terá ficado pelo caminho? Quem é que aproveitou?
    Quem pagou, sabemos: aqueles que não foram convidados para a mesa dos vigaristas (há qualificativo mais adequado? se há ff de o considerar)

    Grato pela atenção dos esclarecimentos que as minhas dúvidas possam merecer.

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    • Caro Rui Fonseca,
      não tenho forma de saber se Zeinal Bava e os gestores brasileiros sabiam ou não; a simples lógica diria que se não sabiam tinham obrigação de saber. A minha presunção à partida é a de que saberiam, e que no caso dos gestores brasileiros aproveitam o argumento de não saberem para ganhar vantagens na fusão.

      Legalmente, até se poderá fazer a separação da Oi e da PT, mas terá que ser resolvido o problema da injecção de capital da Oi na PT, além de a situação de mercado não ser idêntica à da altura em foi decidida a fusão. A alteração dos mercados introduz também uma alteração do valor das empresas (http://expresso.sapo.pt/oi-uma-maquina-de-destruir-valor=f897362). Não é todo claro o que significa em termos de estrutura accionista dizer-se que a fusão fica sem efeito, pelo que também a separação das empresas agora não levaria muito provavelmente à mesma estrutura accionista de antes da fusão, e qualquer presença de capital da Oi na PT seria então para alienar.

      É esta confusão de efeitos (que não consigo clarificar), juntando estrutura accionista e condições do mercado de telecomunicações, que me leva a dizer que a situação pré-fusão não será agora replicável.

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  5. Obrigado pela atenção.
    Talvez a menos má das alternativas possíveis seja, para a PT, a venda à Altice. Mas as perdas dos accionistas, sobretudo dos minoritários, serão consideráveis. E ninguém é responsável, ninguém é penalizado pelos actos dolosos que praticou?

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  6. Volto para referir que Granadeiro é, só agora!, favorável à reversão da fusão, invocando que “Sendo inquestionável que a Oi decidiu tais aplicações através da sua filial PT Portugal, é legítimo à PT SGPS denunciar o acordo de fusão”.

    http://www.jornaldenegocios.pt/empresas/telecomunicacoes/detalhe/granadeiro_defende_fim_da_fusao_entre_pt_e_oi.html

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  7. Henrique Granadeiro decidiu colocar alguns pontos nos “i’s”: http://expresso.sapo.pt/granadeiro-diz-que-fusao-serviu-para-limpar-dividas-da-oi=f906820

    “O facto de a Oi ter colocado a PT Portugal à venda, ativo nuclear na fusão PT/Oi, leva Henrique Granadeiro a defender que esta operação poderá ter sido usada para tapar endividamento da Oi e de algum dos seus acionistas. “Se a Oi já tinha previsto vender a PT Portugal, poderemos presumir que a fusão serviu apenas para libertar os acionistas da Oi das suas dívidas e a Oi da dívida dela”, afirmou ao Expresso o ex-presidente da PT SGPS. Garante que não sabia desta hipótese quando negociou, no verão de 2014, a revisão do acordo de fusão que reduziu a participação da PT SGPS de 37% para 26,5%.

    “Quando a PT SGPS renegociou o acordo não sabia que a Oi pretendia vender a PT Portugal, caso contrário não tinha negociado.” A Altice já reconheceu que está em conversações com a Oi para comprar a PT Portugal desde julho. “O problema da Oi não é a questão da Rioforte, é o seu desempenho operacional, que não faz cessar o crescimento da dívida”, defende Granadeiro. “Mudei de opinião, mas não mudei de projeto, nem de convicções. Não posso aceitar a venda PT Portugal, porque isso desvirtua o projeto. E não tenho qualquer dúvida de que o projeto de fusão só é aceitável sem a venda da PT Portugal.” E reforça: “O conselho de administração da PT SGPS está obrigado por duas assembleias gerais a realizar um projeto de fusão que incluía a PT Portugal.” Granadeiro mandou esta semana uma carta à CMVM e ao presidente da mesa da AG da PT SGPS, Menezes Cordeiro, a defender o fim da fusão.

    E prossegue: “Os negócios têm a sua lógica, mas também têm a sua ética. Nunca pensei que este projeto, em que era nuclear a manutenção da PT Portugal, fosse submetido a uma ética de telenovela.” Quanto à possibilidade de a Oi poder processá-lo por causa da carta, ironiza: “Não sabia que no Brasil tinha sido reintroduzida a criminalização por delito de opinião.””Não tenho qualquer dúvida de que o projeto de fusão [com a Oi] só é aceitável sem a venda da PT Portugal.”

    Ler mais: http://expresso.sapo.pt/granadeiro-diz-que-fusao-serviu-para-limpar-dividas-da-oi=f906820#ixzz3P6hRKcn7

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