Momentos económicos… e não só

liberdade de escolha, TAP e outras companhias

3 comentários

As queixas sobre o serviço da TAP são frequentes entre os portugueses, e não há quem não tenha uma história para contar de atrasos, cancelamentos, bagagens perdidas, etc. Apesar disso continuamos a usar mais a TAP do que outras companhias para as mesmas rotas aéreas. Haverá um certo elemento de carinho para com a TAP. Num tempo de crescente concorrência no transporte aéreo, o haver valorizações diferentes dos consumidores para vários aspectos de comodidade permite às companhias aéreas ter várias estratégias. Nos preços é hoje claro que diferentes dias de procura em websites têm diferentes resultados em termos de preços. Mas também visitas repetidas provocam subidas de preço para as mesmas rotas (nalguns casos, basta colocar o browser em “private window”, para retomar preços mais baixos!).

Encontrei agora um outro elemento de valorização – o poder escolher o lugar no avião quando se faz check-in online. Numa viagem na Iberia, feita em grupo, a atribuição de lugares é inicialmente feita pelo sistema automático, e qualquer mudança custa 15 euros por lugar. Na TAP essa marcação e mudança de lugar não tem qualquer custo e é facilmente realizada. Por enquanto, o sistema da Iberia aponta ainda para juntar em linha os passageiros da mesma reserva. Mas pais com filhos pequenos podem querer outra disposição (por exemplo, 2 + 2 com duas janelas, em vez de 3+1, com duas coxias – era a preferência das crianças por duas janelas). Ou seja, este custo poderá ser ou não relevante, dependendo de fazer check-in online ou não (não testei a saber se check-in ao balcão implica custo na mudança de lugar), e do valor que se dá a esta escolha. Pessoalmente gosto de ter a possibilidade de mudar o meu lugar sem custos, mesmo que não o faça na maior parte dos casos. E esta é uma vantagem que a TAP tem sobre a Iberia.

Autor: Pedro Pita Barros

Professor de Economia da Universidade Nova de Lisboa

3 thoughts on “liberdade de escolha, TAP e outras companhias

  1. Concordo que a escolha de lugar é uma valorização. No entanto, parece-me que isso não justifica a existência de uma empresa pública. Quanto muito justifica a existência de um produto.

    Na minha opinião, a privatização da TAP está relacionada com o ROI da empresa. É claro que isto é difícil de quantificar pois inclui previsões a longo prazo, uma visão geopolítica, etc, mas esse parece-me ser exactamente a questão política: 1. quais são os retornos e 2. justificam o investimento?

    Infelizmente não há discussão sobre o tema. Apenas sobre condições dos trabalhadores, atrasos, problemas técnicos, e outras questões que a meu ver se prendem com a administração da TAP, não com a decisão política se o ROI da empresa justifica o investimento público.

    Ou seja, quando eu vejo lugares grátis, a pergunta que coloco é: porquê? Qual é a finalidade? Não compreendo o “porquê” que a empresa me está a querer transmitir, e portanto não consigo enquadrar “lugares grátis” na mensagem da empresa.

    É porque vende mais? É porque os lugares nunca estão todos ocupados? É porque a empresa acredita que as pessoas se sentem melhor a viajar escolhendo o lugar? Estou perdido e a TAP parece-me que também está.

    O “carinho” pela empresa já está mais relacionada com lealdade do cliente. Assumindo que existe uma estima pela empresa, então é preciso perceber exactamente porquê. Isso já se enquadra no que contabiliza para o retorno da empresa.

    Eu pessoalmente evito a TAP porque procuro um serviço de transporte (i.e. parto às X chego às Y), e a TAP não mo é capaz de oferecer (atrasos na partida e atrasos na chegada).

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  2. Olá Jorge,
    Não fiz a defesa da TAP como empresa pública🙂. Aliás, não vejo qualquer razão para que seja empresa pública. Só quis equilibrar as queixas que tenho por vezes dos atrasos ou da falta de consideração pelos clientes com um elemento que encontrei de positivo face à concorrência, e que passará a fazer parte dos meus cuidados na selecção da companhia aérea para horários similares. Da mesma forma que encarei no passado como negativo a TAP negar-me uma alteração de voo para mais cedo, havendo lugares, sem cobrar quase o preço de um novo bilhete, tendo o cartão de passageiro frequente. Num tom mais geral, a diferenciação de produto tem muitas partes, e esta aparentemente vai passar a ser mais uma delas. Se à falta de flexibilidade na escolha de lugar corresponder um preço mais barato, então estou a dar preço a essa diferenciação e posso escolher se a quero ou não; para igual preço, prefiro a flexibilidade de escolha.
    Aqui a oferta não era de “lugares grátis” e sim ser “grátis” escolher o lugar no avião depois de comprado o bilhete.

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  3. Um contributo: após ter iniciado a minha experiência em viagens de avião há 15 anos atrás, apenas o mês passado voei pela TAP e a razão foi o horário que esta disponibilizava. Sendo mais flexível, permitiu-nos aproveitar melhor a estadia. Quanto ao lugar, fiz o check-in no aeroporto que agora tem umas máquina todas XPTO que através do código enviado por e-mail “perguntam” onde é que os passageiros se querem sentar e estes escolhem os lugares, tal como se faz na CP, e emitem os bilhetes logo de seguida.

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