Momentos económicos… e não só

utilização de cuidados (actualização)

2 comentários

Se há pouco tempo dei alguns resultados das perguntas colocadas via internet, hoje deixo aqui uma visão actualizada, com base em 111 pessoas que começaram a responder. Não há qualquer pretensão de representatividade, uma vez que são valores obtidos sem qualquer estratificação da amostra e o acesso à internet cria desde logo um forte efeito de selecção.

O resultado mais interessante, para explorar em trabalhos mais estruturados, é a resposta associada com a procura de cuidados de saúde por se ter agravado um problema para o qual não se procurou ajuda anteriormente. A principal razão parece estar na opção por auto-medicação por se ter pensado que não era um problema grave (20 das 29 pessoas que não procuraram auxílio disseram que não era grave e tomaram a opção de auto-medicação).

Screen Shot 2015-03-14 at 17.05.00

Screen Shot 2015-03-14 at 17.05.07

Screen Shot 2015-03-14 at 17.05.14

Screen Shot 2015-03-14 at 17.05.32

Screen Shot 2015-03-14 at 17.05.38

Screen Shot 2015-03-14 at 17.05.46

Screen Shot 2015-03-14 at 17.05.53

Screen Shot 2015-03-14 at 17.06.01

Screen Shot 2015-03-14 at 17.06.07

Screen Shot 2015-03-14 at 17.06.13

Autor: Pedro Pita Barros

Professor de Economia da Universidade Nova de Lisboa

2 thoughts on “utilização de cuidados (actualização)

  1. Depois de lêr, alguns pontos:

    1- grande efeito de seleção de users da internet! Tudo malta nova, instruída, bem longe do típico utilizador do SNS, que são maioritariamente mulheres entre 50-60 anos, com pluripatologia e baixa escolaridade e baixo nivel de saúde autoreportada . Fica a pergunta: quem tem acima de 80 anos?🙂

    2- só 19% referiram não se terem sentido doentes? Se utilizarmos definições de doença diferentes poderiamos ter resultados diferentes? Abrangeu temporalmente a época de gripe que agora findou? É só malta resistente e pouco queixinhas!

    2- Continuo a defender que publicitamos pouco e mal a saúde 24. A utilização da saúde 24 previamente a uma eventual ida aos CSP ou urgências hospitalares poderia reduzir a procura. Creio que essa redução seria tanto mais acentuada se a chamada pudesse em alternativa ser videochamada para quem tivesse uma ligação à internet. E faria diferença na utilização da saúde 24, bem como na diminuição da utilização de consultas presenciais nos CSP e urg~encias, se a triagem fosse feita por médicos?

    3- Parecem existir vários graus de liberdade na escolha de mecanismos de resposta após doença, por parte dos utilizadores. Maior uso de cuidados privados associados ao facto de termos um viés nos utilizadores, dado teoricamente terem maior poder de compra que a generalidade da População Portuguesa?

    4- não procurar auxilio pela importância dada ao problema terá a ver com maior literacia em saúde e maior percepção do estado de saúde? Vários estudos mostram que as variáveis educação e rendimentos influenciam a percepção da saúde individual e coletiva.

    5- Viés de seleção na questão da opção “deixou de ir a consulta por ausência de dinheiro para transporte”. Só respondeu malta de Lisboa🙂. Reduzindo o rendimento individual e aumentando as distâncias para uma unidade de Saúde e as pessoas deixam de utilizar os serviços.

    Gostaria de saber qual a fronteira de rendimentos que leva a que uma pessoa em Lisboa ou digamos numa aldeia rural a 40km de Évora deixe de ter capacidade económica para enfrentar um problema de saúde. Atendendo que o meu centro de saúde está a 300m de minha casa e eu não pago bilhete do metro vs ter que esperar pelo autocarro que só passa de manhã e à noite da aldeia em direção a uma grande cidade e o bilhete custa 3 euros… há um conjunto de variáveis que têm peso em termos de acessibilidade e que apesar dos trabalhos realizados em Portugal em termos de distribuição optima dos prestadores de serviços, não são tidas em conta e que levam a que as pessoas sejam discriminadas no acesso por barreiras geográficas.

    6- Os inquiridos pertencem maioritariamente às Classes A e B mas têm muitos amigos ou familiares que tiveram dificuldades económicas em conseguir dar resposta aos seus problemas de saúde. Porque são pessoas mais velhas e ou pertencem a classes sociais diferentes ou não moram numa metrópole?

    Gostar

  2. Caro Ângelo
    1- inevitável.
    2- abrangeu a época da gripe, foram respostas das duas últimas semanas
    3- (segundo 2) – concordo integralmente na primeira parte; não sei se faria muita diferença ser triagem realizada por médicos
    4- (3 acima) – a minha interpretação é que a seleção da amostra associada à internet determina em grande medida essa utilização do sector privado
    5- (4 acima) talvez – é um hipótese de trabalho a explorar em trabalhos futuros, ou vendo com mais atenção o que existe actualmente sobre literacia em saúde
    6- (5 acima) – ou pelo menos só respondeu malta que está perto dos locais de acesso, provavelmente também a ver com a selecção da amostra via internet;
    7- (6 acima) – pode ser isso, ou pode ser que temos uma percepção diferente do que se passa com os outros, ou tendemos a olhar para nós próprios de forma diferente – tudo aspectos que seria interessante dissecar um pouco mais.

    o objectivo destas perguntas era serem exploratórias, e para esse fim, deixam algumas ideias para explorar mais tarde😀

    abraço

    Gostar

Deixe um momento económico para discussão...

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s