Momentos económicos… e não só

sondagens, margens de erro e euforias (ou depressões)

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As sondagens ganharam peso mediático inquestionável ao longo dos anos, e no caso das próximas eleições há, claramente, uma vontade de cada lado procurar criar um efeito de arrastamento por surgir melhor colocado nas sondagens. As que causaram maior impacto recente foram as sondagens RTP/CESOP, que dão vantagem entre 6 e 7 pontos percentuais à coligação “PàF”.
Uma sondagem sobretudo com poucos que respondem tem uma imprecisão grande e na descrição desta sondagem RTP isso é assinalado (aqui): “Dada a margem de erro desta sondagem, de 3,8 por cento, o limite mínimo do intervalo associado à votação na coligação (35,7 por cento) é inferior ao limite máximo do intervalo associado à votação do PS (38,2 por cento). Sublinham os autores da sondagem que, assim sendo, “isto quer dizer que, com base apenas nesta sondagem, não se pode dizer que a coligação tenha hoje mais intenções de voto do que o PS”.

Para seguir as diversas sondagens e a sua agregação, a recomendação que deixo é a informação do popstar, que tem desde o início do mês de Setembro de 2015 uma situação de empate técnico (com sobreposição quase total dos intervalos de confiança das intenções de voto nos maiores partidos, PaF e PS), e a opinião de Pedro Magalhães (aqui), que a ler tecnicamente os resultados das várias sondagens é insuperável.

Relativamente à sondagem da RTP, mesmo não conhecendo os ponderadores de cada resposta, só olhar para os valores absolutos dá uma ideia da imprecisão que pode estar presente – se todos os inquiridos tivessem a mesma ponderação de representatividade (e sabemos que não é assim), então dos 678 inquiridos 87 votavam PaF e 74 no PS, esta diferença de 13 votos, comparando com os 285 indecisos, dá uma ideia do grau de imprecisão que pode estar presente. [mesmo aplicando os ponderadores esta comparação deve ter a mesma ordem de grandeza]. A isto adicione-se os 45% que não completaram o inquérito ou recusaram responder (cerca de 554-555), e que provavelmente não têm a mesma distribuição de votos que os que responderam. Ou seja, sondagens são úteis quando têm um número de observações suficientemente elevado, o que não tem sido o caso. Por isso a agregação das várias sondagens é a melhor forma de obter informação. Comentar sondagem a sondagem é apenas adicionar ruído.

E também seria útil ir sabendo, além das margens de erro em percentagem que as fichas técnicas apresentam, qual o número de votantes na sondagem que separa os dois principais partidos/coligação e o número de indecisos.

Autor: Pedro Pita Barros

Professor de Economia da Universidade Nova de Lisboa

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