Momentos económicos… e não só

e quanto ao crescimento económico?

6 comentários

o INE publicou no dia 31 de maio informação sobre a evolução da economia (ver aqui). Os dois pontos cruciais:

“O consumo privado, em volume, apresentou uma variação homóloga de 2,9% no 1º trimestre de 2016, 0,6 p.p. acima da taxa de variação observada no trimestre precedente.(…) Esta evolução deveu-se sobretudo à aceleração da despesa com bens duradouros, que passou de uma variação homóloga de 7,5% no trimestre anterior para 12,8%, refletindo em larga medida a evolução da componente automóvel. (…)  A FBCF em Outras Máquinas e Equipamentos [leia-se investimento em equipamento em termos não técnicos] também contribuiu negativamente para a evolução da FBCF total, com uma diminuição homóloga de 4,2% (taxa de -4,4% no 4º trimestre).”

Ou de outra forma, o “plano” de crescimento de aumentar o rendimento disponível para consumo traduz-se em importações de automóveis de forma significativa (o que será bom para os stands automóveis, mas sobretudo para os países de onde importamos esses automóveis), e a capacidade produtiva da economia e a sua produtividade vão provavelmente continuar numa rota anémica (senão mesmo descendente). Os desafios à economia portuguesa, e a quem pensa as políticas económicas, aumentam.

Sendo certo que ainda é cedo para avaliar se a estratégica macroeconômica sobre a qual assentam as esperanças do actual governo irá ou não funcionar, estes não deixam de ser sinais que merecem atenção. A tentação de “matar o mensageiro” vai certamente existir. Mas vale a pena recordar que o investimento e o crescimento da produtividade e da economia não se decretam centralmente, e surgem sim de milhares de pequenas decisões de entidades independentes.

É necessário evitar uma atitude comum: a de ver quem estava no anterior Governo como incapaz. Sucedeu isso com a equipa de Passos Coelho e Vitor Gaspar (que dava a sensação de pensar quem o antecedeu como tendo falhado por falta de capacidade técnica), e sucede até certo ponto com a actual equipa governativa, ao usar o argumento de que Portugal não cresce por causa de ausência de estímulo da procura (culpa das “políticas neo-liberais”). Há claramente necessidade de passar para a análise mais profunda de porque não melhora o desempenho económico global em Portugal, e pode-se começar com uma pergunta, aplicável a todos os Governos dos últimos 20 anos: admitindo que todos eram tecnicamente capazes e interessados no crescimento económico do país, porque falharam as sucessivas políticas? (dizer que os agentes económicos não compreenderam o alcance estratégico das medidas não é resposta, dizer que as políticas não foram bem definidas é irrelevante quando se está a julgar a definição pelos resultados, dizer que quem as pensou era incompetente não será suficiente, é preciso ir mais fundo)

Autor: Pedro Pita Barros

Professor de Economia da Universidade Nova de Lisboa

6 thoughts on “e quanto ao crescimento económico?

  1. Por que economistas do seu gabarito faz analise escada – indicadores que sobem e descem? No Brasil, acontece a mesma coisa. Mas o fato concreto,por aqui, não gostamos de falar do modelo. Temos que perguntar, nos brasileiros, que modelo eh esse que nos leva a ter uma renda per capita mequetrefe? A resposta mais simples: o modelo da pilhagem ubíqua.Resolve-lo tecnicamente elementar. Politicamente quase que impossível. O mesmo deveria valer para vocês: que modelo eh esse que os deixa bem atras de outros países do Euro?

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  2. O “sobe-e-desce” mostra de forma rápida se a evolução é ou não consistente com o que se espera – se o modelo é “aumentar procura para motivar investimento para aumentar produção nacional”, então aumento de importações de automóveis e redução de investimento não é compatível com a previsão do modelo. Infelizmente dizer que a realidade não parece estar de acordo com um “modelo” em particular não nos diz qual o “modelo” certo.

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  3. Challenges to Mismeasurement Explanations for the U.S. Productivity Slowdown

    http://www.nber.org/digest/jun16/w21974.html

    http://www.nber.org/papers/w21974

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