Momentos económicos… e não só

CGD, entrevistas antigas e “heresias”

3 comentários

Neste processo todo à volta da Caixa Geral de Depósitos há, obviamente, uma componente forte de luta política. Ok. Mas há também uma outra parte fundamental, que é o papel da CGD no sistema financeiro português. A propósito das discussões que correm, lembrei-me de uma entrevista antiga de António Nogueira Leite (aqui), que referi aqui). Nessa altura, em dezembro de 2012, a solução de privatizar a CGD seria uma forma de evitar essa instrumentalização.

O que se tem dito e as necessidades de recapitalização da CGD apontam para que a privatização deva ser encarada como uma opção possível. O facto de se saber que haverá sempre dinheiro público para “salvar” o banco público e a pressão política para que “dê crédito à economia” poderá facilmente gerar situações de atribuição de crédito a maus projetos, mesmo que não haja instrumentalização. Se a esse efeito adicionarmos então os riscos de instrumentalização, e a (aparente) incapacidade de ser uma instituição estabilizadora do sistema bancário, a discussão de privatização surge num plano de eficiência do sistema bancário e não num plano ideológico de intervenção do estado (isto é, se  CGD não consegue ser um bom instrumento, não há razão para o manter). A “heresia” da privatização da CGD deverá estar em cima da mesa, em vez de apenas se andar à procura de créditos políticos conjunturais na discussão.

Infelizmente, uma discussão desapaixonada sobre as vantagens e desvantagens de privatização da CGD é bastante improvável (impossível mesmo?)

Autor: Pedro Pita Barros

Professor de Economia da Universidade Nova de Lisboa

3 thoughts on “CGD, entrevistas antigas e “heresias”

  1. Em meados de Novembro de 2012, e em comentário a um artigo de Nicolau Santos no Expresso, – OITO RAZÕES PARA NÃO PRIVATIZAR A CAIXA – anotei no caderno de apontamentos OITO RAZÕES PARA PRIVATIZAR A CAIXA.

    Desde então, emergiram outras situações reveladores de galopante descrédito da instituição que deveria ser paladina do contrário.
    Não me movo por ideologias, que são obnubiladoras da razão. Por isso, também eu gostaria de ver discutido o futuro da Caixa de modo inteligente. Mas não vai ser.

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  2. Obrigado pelo apontamento. E será interessante ver se Nicolau Santos ainda mantém a mesma posição.

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