Momentos económicos… e não só

Seminário sobre Planeamento em Saúde

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Decorreu ontem o primeiro dia do Seminário sobre Planeamento em Saúde organizado pelo  Instituto de Higiene e Medicina Tropical, em que durante a manhã falaram Nigel Crisp (Reino Unido), Jens Holst (Alemanha) e Alberto Infante (Espanha). Estes países têm, em termos de planeamento em saúde, três diferentes formas de organizar o financiamento e a prestação de cuidados de saúde, para alcançar objectivos que são essencialmente os mesmos (cobertura universal). A apresentação de Nigel Crisp focou na capacidade, ou falta dela, dos sistemas de planeamento em saúde conseguirem incorporar ideias que venham de fora da estrutura que faz esse planeamento. As apresentações institucionais sobre a situação na Alemanha e em Espanha enfatizaram os aspectos formais, do que legalmente está instituído, num contraste claro com a apresentação anterior.

A intervenção de Nigel Crisp trouxe um conjunto de perguntas que podem ser usadas para avaliar a abertura dos sistemas de planeamento em saúde

a) quanto é a que estrutura de planeamento ouve 1) os profissionais de saúde; 2) os doentes; 3) os cidadãos e suas ideias (não doentes, mas que podem ser cuidadores informais); e 4) empregadores e outros agentes.

b) quanto apropriação local existe nesse planeamento (papel das estruturas locais)?

c) qual a capacidade de se ter “learning by doing” das estruturas de prestação de cuidados de saúde inserido no próprio planeamento (aprendizagem ao longo do processo)?

d) qual é a visão para o sistema de saúde que está presente no planeamento?

e) qual a capacidade de a estrutura de planeamento “ouvir” ideias vindas de fora dessa mesma estrutura quanto à prestação de cuidados de saúde sem rejeitar imediatamente?

Sendo certo que as estruturas formais de planeamento em saúde vivem frequentemente centradas em si mesmas, a introdução de alguma criatividade externa pode ser útil, embora seja necessário ter um equilíbrio entre “sistema de planeamento” e “criatividade”, pois não se se pode ter unicamente situações ad-hoc, sem qualquer coordenação. Segundo Nigel Crisp, a medida para este equilíbrio é o de criação de relações – se uma nova ideia estabelecer uma relação duradoura com o sistema de saúde, então a estrutura de planeamento deverá acomodar esse elemento de “criatividade”.

Durante o dia de hoje decorrerão mais sessões, havendo a possibilidade de webstreaming para quem tiver interesse em acompanhar (link aqui)

Autor: Pedro Pita Barros

Professor de Economia da Universidade Nova de Lisboa

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