Momentos económicos… e não só

SNS português e NHS inglês, problemas partilhados mas ainda à procura de solução

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Se em Portugal tem havido preocupação com o recurso às urgências em detrimento de outras respostas, nomeadamente a ida ao médico de familia, é de registar que o mesmo problema também é (ciclicamente) encontrado em Inglaterra (ver  aqui, para um exemplo recente). A tensão permanente é entre duas (ditas) soluções quase opostas: uma que defende que alterações nas organizações do Serviço Nacional de Saúde são suficientes, e outra que defende a necessidade de mais recursos. O diálogo entre os apostam mais numa ou noutra solução pode tornar-se duro e amargo (como é também ilustrado pelo caso inglês), sem resultar em melhoria da situação. Ambas as soluções partilham uma característica – concentram as soluções no lado da oferta (ou seja, da prestação de cuidados), negligenciando o que são as decisões do lado da procura (os doentes) ao ponto de assumirem que estes se comportarão da forma como os decisores políticos ou do Serviço Nacional de Saúde esperam que aconteça. Ora, é dificil conceber que se possa encontrar uma solução sem uma melhor compreensão do comportamento dos cidadãos quando se sentem doentes. E para isso é preciso informação e não apenas palpites sobre o que está na origem das decisões individuais, e sobre o que as poderá alterar. Mesmo a realização de inquéritos não é inteiramente satisfatório pois nem sempre as intenções coincidem com as decisões concretas, e nem sempre o que se responde sobre decisões passadas é exacto. Dada o carácter cíclico do problema, é necessário identificar diferentes respostas que tenham sido ensaiadas e verificar o seu efeito. Por exemplo, comparar o que foi o acesso a urgências hospitalares de residentes em áreas onde houve horário alargado de atendimento nos cuidados de saúde primários versus áreas onde não tenha ocorrido (pelo menos ao mesmo tempo), identificar se houve picos inesperados de procura ou falta de ajustamento a um aumento de procura que era previsível dada a evolução do surto de gripe, etc. É preciso perceber se o que está em causa é um problema de organização ou um problema de recursos, para que a solução para minimizar a repetição das situações de longos tempos de espera dos últimos dias.

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Autor: Pedro Pita Barros

Professor de Economia da Universidade Nova de Lisboa

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