Momentos económicos… e não só

Observatório mensal da dívida dos hospitais EPE, segundo a execução orçamental (nº 39 – Agosto de 2017)

2 comentários

Retomando, depois do período de férias, o acompanhar das dívidas dos hospitais, com os dados de dois meses adicionais, Junho e Julho, face à última análise constata-se a manutenção da tendência desde o inicio de ano, já depois da reforço de verbas no final do ano de 2016. Confirma-se então um ritmo de crescimento em 2017 mais elevado do que o ritmo médio de crescimento que vinha desde o Verão de 2015.

Apesar desse maior crescimento médio em 2017, não é historicamente anormal. O confronto com os episódios de crescimento passados revela que este ritmo de crescimento surgiu no passado em outras duas ocasiões (de Dezembro de 2012 a Outubro de 2013, e de Dezembro de 2014 a Fevereiro de 2015). Em todos os casos, o ritmo de crescimento mais elevado ocorre depois de episódios de injecção de fundos e regularização de dívidas, visível nas duas figuras abaixo.

O ritmo de crescimento desde Dezembro de 2016 tem sido de 39 milhões de euros por mês, e mesmo considerando uma possível igualdade de ritmo de crescimento com os episódios anteriores mais similares, o ritmo estimado é de 35 milhões de euros por mês, conforme apresentado nos quadros com as estimativas de regressão apresentadas no final do texto.

Ou seja, o acelerar de crescimento no inicio de deste ano não foi, pode-se agora concluir, uma situação pontual dos primeiros meses, revelando a manutenção de um problema com os pagamentos em atraso que está longe de se encontrar resolvido. Há um agravamento face aos últimos dois anos, mas não é historicamente desproporcionado. A incapacidade de resolução do problema dos pagamentos em atraso é claramente transversal a governos e duradouro. Como, fora das regularizações extraordinárias, ocorreram apenas dois episódios curtos de alguns meses com decréscimo dos pagamentos em atraso, é importante conhecer melhor o que possa ter estado subjacente a esses episódios.

Veremos se a preparação do orçamento do estado para 2018 trará ideias novas ou maior capacidade de resolução do problema dos pagamentos em atraso nos hospitais.

 

 

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Autor: Pedro Pita Barros

Professor de Economia da Universidade Nova de Lisboa

2 thoughts on “Observatório mensal da dívida dos hospitais EPE, segundo a execução orçamental (nº 39 – Agosto de 2017)

  1. Fantástico como o DN deu uma noticia de 1/4 de página sob este tema dizendo no titulo garrafal que as” dívidas AOS hospitais subiram em 5 meses 195 milhões de euros” enquanto pelo conteúdo da noticia se percebe que queria dizer que as “dívidas DOS hospitais (os fornecedores) aumentaram 195 milhões de euros
    Que forma mais positiva de dar uma noticia tão negativa!

    é a a comunicação social que temos

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  2. Pois, faz bastante diferença a mudança de uma simples letra.

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