Momentos económicos… e não só

Observatório mensal da dívida dos hospitais EPE, segundo a execução orçamental (nº 43 – Dezembro de 2017)

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Apesar de alguns dias em atraso face ao habitual, aqui volto ao observatório mensal da dívida dos hospitais EPE. Os valores foram pontualmente divulgados pelo Ministério das Finanças, conforme anunciado. O atraso em fazer este número do Observatório deveu-se à ocupação típica da época de festas natalícias, por um lado, e à pouca vontade de retomar más notícias.

O valor referente ao mês de novembro de 2017 traduz-se num aumento da dívida acima da tendência do ano de 2017, que é ela própria mais acentuada do que no passado recente – o valor médio mensal de crescimento da dívida está agora em cerca de 48 milhões/euros por mês. O usual gráfico abaixo mostra claramente que a tendência de crescimento do último ano (a vermelho) é mais acentuada do que antes (linhas crescentes a preto e a azul).

Este aumento das dívidas registadas pode ser apenas má ou pode ser muito má noticia. Se for uma reacção de registar dividas de despesas já realizadas com o objectivo de receber uma parte maior do reforço de verbas anunciado pelo Governo, é má noticia mas é o reconhecimento de despesa que já lá estava (pode até nem ser mais despesa, basta não pagar para entrar como pagamento em atraso). Se for uma reacção de uma vez que se vai receber mais dinheiro nos hospitais EPE então vamos fazer mais despesa para usar essas verbas, deixando de pagar as dívidas mais antigas que passam a pagamentos ema atraso, então a evolução cai na categoria de muito má.

Em qualquer dos casos, pensar que anunciar reforço de verbas e que será feita a “mãe de todas as transferências” para levar a dívida no final do ano de 2017 a ser mais baixa até do que no final de 2016 não levaria a um aumento da própria dívida é pouca capacidade de antecipação.

Num contexto em que há clara pressão para aumentar despesa (reposição de salários e investimentos de reequipamento e/ou manutenção), a incapacidade de ter orçamentos realistas e bem geridos, fazendo com que a criação de dívida continue a ser a habitual válvula de escape da pressão financeira não é bom sinal.

Aliás, este último “pula e avança” dos pagamentos em atraso sugere uma hipótese para teste futuro nos dados: cada vez que há um anúncio de mais verbas, há a criação de mais dívida. Fica para análise futura. Veremos entretanto que mudanças o final do ano traz.

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Autor: Pedro Pita Barros

Professor de Economia da Universidade Nova de Lisboa

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