Momentos económicos… e não só

Observatório mensal da dívida dos hospitais EPE, segundo a execução orçamental (nº 57 – Junho 2019)

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Tendo saído o valor de Maio para os pagamentos em atraso, no boletim de execução orçamental de junho de 2019, é possível atualizar a análise da evolução recente. E embora não o valor referente a maio de 2019 não saia muito da linha histórica recente, olhando numa perspectiva mais longa conseguimos encontrar neste momento regularidades que apontam para alguma mudança positiva. Em concreto, os dois períodos mais recentes de tendências cortadas por regularizações ou injeções extraordinárias de dívidas, correspondendo a Abril-Novembro 2018 e depois Dezembro 2018 a Maio 2019, são diferentes no seus ritmos médios de crescimento em valor absoluto, cerca de 32 milhões de euros/mês e cerca de 21 milhões de euros/mês, respectivamente (note-se que em ambos os períodos ocorreu um momento de cerca de três meses de estabilidade dos pagamentos em atraso). Ainda assim, pode-se agora, embora apenas com 6 meses, sugerir que há um abrandamento no ritmo de crescimento da divida dos hospitais EPE. É uma boa noticia, sobretudo quando se compara com os ritmos de crescimento entre Janeiro de 2017 e Fevereiro de 2018. Contudo, uma comparação com outros períodos revela que não são ritmos de crescimento anormais. De  Setembro de 2015 a Novembro de 2016, o ritmo de crescimento nesse período foi essencialmente similar ao registado desde Dezembro de 2018 até Maio de 2019. Ou seja, a melhoria é por confronto com o passado recente, mas não é um valor anormalmente baixo. O principal risco, neste momento, é que, tal como em 2015, o aproximar das eleições se traduza numa menor capacidade / interesse em manter sob controle o crescimento dos pagamentos em atraso.

Na primeira figura abaixo, tem-se os ritmos de crescimento, assinalando as semelhanças com cores idênticas entre períodos. O primeiro quadro de resultados apresenta as estimativas de ritmos de crescimento com as tendências “iguais” tratadas em conjunto, enquanto no segundo quadro as tendências mais recentes (tend11 e tend12) são estimadas em separado, para que se possa confrontar com a opção de serem tratadas em conjunto com os períodos passados similares.

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Autor: Pedro Pita Barros

Professor de Economia da Universidade Nova de Lisboa

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